Mesmo preso, o ex-prefeito Manuel Sukita conseguiu criar uma grande confusão com o PSB, partido ao qual é filiado e pelo qual quer sair candidato a deputado estadual nas eleições de outubro. No final da tarde de sábado, a família dele divulgou nas redes sociais um documento enviado para o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE/SE), no qual o ex-prefeito afirma que mantém a sua candidatura e pede para tornar sem efeito um termo de renúncia que havia sido encaminhado horas antes pela Executiva Estadual socialista – e esta havia anunciado que a candidatura foi retirada. O detalhe mais curioso é de que os dois documentos foram assinados de próprio punho por Sukita.
No primeiro, assinado também pelo primeiro-secretário estadual do PSB, Jorge Rabelo Barreto, e por dois dirigentes do partido, aparece a afirmação do ex-prefeito de que a renúncia acontece em "caráter irrevogável e irretratável" e "de livre e espontânea vontade, face aos últimos acontecimentos e notícias veiculadas na imprensa local e nacional, as quais denigrem a imagem do partido". Também foram alegadas "questões de foro íntimo" e o da decisão. No entanto, a carta divulgada pela família de Sukita afirma que o pedido de renúncia entregue pelo PSB "não retrata a minha vontade livre e consciente". E também diz "ser portador de todos os direitos de votar e ser votado". Os dois documentos devem ser analisados e julgados ainda nesta semana pelo pleno do TRE.
A carta caiu como uma bomba nos bastidores do PSB e detonou uma guerra de acusações entre partidários de ambos os lados. Jorge Rabelo disse ontem, em entrevista à rádio 103 FM, que a candidatura de Sukita prejudica a imagem do partido. "O partido não pode admitir a candidatura de uma pessoa que está recolhido em uma cadeia, que foi preso pela segunda vez em menos de 30 dias e ficar exposto a essa situação. A providência foi tomada antes mesmo de ocorrer a prisão. Se a justiça eleitoral entender que ele pode ser candidato é questão judicial, mas diante do partido, o que ele tinha que fazer já foi feito", disparou.
O contra-ataque partiu dos seguidores de Sukita, em postagens nas redes sociais mantidas pelo ex-prefeito. Com muitos erros de português e outras tantas referências à religião, eles afirmam que as acusações são fruto de "perseguição" dos adversários e o declaram como favorito à vaga na Assembleia Legislativa. "Sukita pode ser abandonado pelos seus aliados, mas não pelo povo de Capela e de Sergipe. Já a determinado grupo que se estalou em Capela (sic), a resposta do povo já começa nessa eleição. Os Valadares abandonando Sukita, estão abandonando o povo de Capela. Lembrece disso! (sic)", apela o eleitor Augusto Nascimento, em um dos mais de 300 comentários registrados até a tarde de ontem pelo perfil oficial do político no Facebook. (Gabriel Damásio)


