Gabriel Damásio
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Uma decisão despachada na tarde deste domingo pela Justiça Federal em Sergipe (JFSE) surpreendeu a todos: a liminar que concedeu habeas-corpus ao ex-prefeito de Capela (Vale do Cotinguiba) Manoel Messias Sukita dos Santos (PSB) e ao ex-secretário de Finanças do município José Edivaldo dos Santos. Eles foram liberados por volta das 19h de domingo do Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), onde ficaram presos durante 40 dias, acusados pelos desvios de recursos públicos investigados na "Operação Pop", das polícias Civil e Federal.
A libertação dos dois acusados foi determinada pelo juiz Carlos Rebelo Júnior, da 9ª Vara Federal de Sergipe, que aceitou o pedido de apelação impetrado pelo advogado Emanoel Cacho. O defensor argumentou que Sukita e Edivaldo são réus primários, têm endereço fixo e não oferecem qualquer risco à ordem pública, nem ao andamento do processo. Alegou ainda que a manutenção dos acusados na prisão seria "desnecessária" e apontou supostas práticas de "abuso de autoridade" por parte da polícia e dos ministérios públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE) – os quais também participaram da operação.
A noticia da libertação de Sukita foi confirmada ao início da noite de anteontem pelo próprio ex-prefeito, que, após a chegada dele em seu apartamento, no bairro 13 de Julho (zona sul), postou fotos em suas páginas no Facebook e no Instagram, nas quais ele aparece alguns quilos mais magro, vestindo uma camisa da Seleção Brasileira e posando com familiares e amigos que o visitaram. "Voltei a sorrir, já estou em casa sendo recebido pelas minhas filhas e enteada", escreveu ele em uma das postagens. Muitos apoiadores escreveram mensagens de apoio a Sukita, afirmando que rezaram por sua libertação. Mas houve quem criticasse a libertação dele, dizendo que as fotos do ex-prefeito livre são uma demonstração de impunidade.
Sukita e Edivaldo foram presos em 3 de junho deste ano, quando a "Pop" foi deflagrada para cumprir oito mandados de prisão expedidos contra ambos, sendo seis pela Comarca de Capela e dois pela 6ª Vara Federal de Sergipe. Na ocasião, duas parentas de Sukita também foram detidas por ordem da JFSE: a irmã, Clara Miranir Santos, empresária responsável por gerir os negócios do ex-prefeito e a esposa, Silvany Yanina Mamlak, ex-primeira-dama de Capela. As duas chegaram a ficar duas semanas detidas em duas delegacias da capital e no Presídio Feminino (Prefem) de Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), de onde foram libertadas em 26 de junho, por força de um habeas-corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife (PE).
Todos os presos da "Pop" foram denunciados à Justiça pelo MPF e pelo MPE, por crimes de improbidade, lavagem de dinheiro e desvio de cerca de R$ 6 milhões em recursos públicos estaduais e federais, os quais teriam sido cometidos entre 2004 e 2012, durante os mandatos de Sukita na Prefeitura de Capela. As irregularidades foram descobertas com base em apurações da Controladoria Geral da União e das polícias Civil e Federal. Os advogados de Sukita afirmam que, por orientação da defesa, ele não vai fazer nenhuma declaração à imprensa até o julgamento dos processos judiciais que correm contra ele. Afirmam também que vão pedir uma perícia detalhada em todos os documentos e computadores que foram apreendidos nas casas e escritórios dos acusados, os quais, segundo o MPF, provariam os crimes.


