Kátia Azevedo
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Faltam 458 merendeiros nas escolas públicas na rede estadual, de acordo com levantamento produzido pela Secretaria de Estado da Educação (Seed). Em nota encaminhada por meio da assessoria, o órgão admitiu a carência de mão de obra para atender a demanda das escolas, e informou que estuda uma forma de resolver o problema.
"O levantamento efetuado identificou uma necessidade de contratação de cerca de 458 profissionais. Para solucionar o problema os técnicos do governo estão analisando a melhor maneira de contratação. As possibilidades são: por concurso, terceirização ou processo seletivo simplificado para contratação temporária", diz a nota, explicando ainda que, mesmo com o quadro escasso de profissionais, a alimentação escolar oferecida na rede é mantida, com a oferta de um lanche para os estudantes.
Na avaliação de Alexis Azevedo, do Movimento Acorda Servidor, a situação é grave diante da falta de concurso público e do crescente déficit dos profissionais que estão deixando da rede por receberem menos de um salário mínimo ou por terem se aposentado. "Há sete anos o governo não faz concurso público para o cargo de merendeiros e outras funções de execução básica que são essenciais para o funcionamento das escolas. Ao invés disso, criou um decreto 29.592 extinguindo os cargos", observa.
Alexis ressalta que o decreto que acaba com mais de 200 funções públicas é uma forma de extinguir com os cargos para iniciar a privatização do serviço implantando a terceirização na rede. A situação das escolas levou o grupo de servidores a iniciar um mapeamento sobre o quadro funcional e outros problemas que afetam as unidades de ensino. "Estamos iniciando visitas às escolas e num período de cinco meses deveremos concluir o levantamento que será uma radiografia das escolas", observou.
O representante dos servidores conta que em muitas escolas da rede os serviços de execução básica como a merenda só são feitos por causa do esforço dos funcionários que mesmo desempenhando outras funções ajudam a manter a unidades de ensino funcionando.
Tem sido assim, por exemplo, na Escola Estadual Judite Oliveira, localizada no Orlando Dantas, na zona sul de Aracaju, onde a aposentada Josefa dos Santos, reclama que há 15 dias a sobrinha de 7 anos sai da escola mais cedo por falta de merenda. "Os funcionários da escola justificaram que quando um profissional adoece ou entra de férias não fica ninguém para fazer a merenda e os alunos ficam sem alimentação, sendo liberados mais cedo, prejudicando a aprendizagem. As crianças chegam 7h e voltam para casa às 9h30. É um absurdo não oferecer a merenda quando há alimentação na escola", critica.
A vizinha de Josefa, Maria José dos Santos, também reclama da situação. "Este problema é constante e agora, há cerca de três semanas, os alunos estão sendo liberados mais cedo pela escola porque não tem merendeiro para preparar a refeição. Meu neto está nesta escola há dois anos e quase todo mundo da comunidade tem filhos estudando lá. É preciso uma providência", reivindica.


