Família tenta a transferência de bolsonarista preso no DF para Sergipe

Na madrugada do dia 14 de fevereiro agentes da Polícia Federal estiveram no município de Itabaiana com a missão de dar seguimento à Operação Lesa Pátria.

Milton Alves Júnior

Fora da lista de presos liberados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nas últimas 48 horas, o sergipano Luciano Oliveira dos Santos, cidadão itabaianense popularmente conhecido como Popó Bolsonaro, segue encarcerado no Complexo Penitenciário da Papuda desde o dia 08 de janeiro – momento em que um golpe de estado foi ensaiado por milhares de pessoas em Brasília. Em conversa exclusiva com o JORNAL DO DIA, no início da tarde de ontem o irmão de Luciano, Wagner de Rolopeu, revelou que na última segunda-feira (27), o advogado contratado para acompanhar o caso esteve na unidade penitenciária e conversou com o suspeito de promover e incentivar atos antidemocráticos na Praça dos Três Poderes, na capital federal.
Na madrugada do dia 14 de fevereiro agentes da Polícia Federal estiveram no município de Itabaiana com a missão de dar seguimento à Operação Lesa Pátria. Já destacado pelo JD, naquela ocasião os oficiais da corporação federal se aproximaram por volta das 5h45 da residência onde morava Luciano Oliveira, onde se apresentaram à Lúcia Oliveira dos Santos, 67 anos, mãe do suspeito, e pediram permissão para entrar no imóvel. Em conversa com os policiais ela chegou a revelar que desde o período pré-processo eleitoral do ano passado estava abalada com o nível de paixão cultivada pelo filho para com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, por inúmeras vezes buscou convencer a abandonar a linha de defesa ao político líder do PL.

Transferência – Tendo como base um entendimento constitucional apresentado pela juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, ainda no início do mês passado, familiares do Popó Sergipano esperam que o ministro Alexandre de Moraes reavalie as suas decisões e permita que os detentos – não habitantes de Brasília -, sejam transferidos para unidades penitenciárias de regime fechado no respectivo estado oficial de moradia. Houve um pedido da juíza neste sentido, mas ele foi negado pelo STF.
Impedido de visitar o irmão, Waguinho criticou a postura e atos protagonizados por Luciano, defendeu que ele siga respondendo pelo que foi flagrado no dia da invasão ao Congresso Nacional e sede do STF, mas lamentou que o suspeito siga confinado na capital federal.
“Não estou aqui para passar a mão na cabeça do meu irmão em hipótese alguma; se ele cometeu erros gravíssimos, e, ao que observamos, realmente ele está envolvido, é pra responder mesmo, só acho que há arbitrariedade por parte da Justiça. Ele é réu primário, poderia responder em prisão domiciliar, ou mesmo em alguma unidade penitenciária, mas que ao menos fosse aqui em Sergipe. Pelo menos poderíamos visitar ele e acompanhar o processo mais de perto”, avaliou.
“Esta semana o nosso advogado teve acesso a parte interna da Papuda, conversou com meu irmão, e nos disse que ele está bem na medida do possível. Ansioso para poder voltar logo para casa, mas que tem consciência do que deve responder ainda daqui pra frente. Pediu apenas para nos informar [à família e amigos] que está bem e que em breve estará por aqui. Como disse há pouco, torço por isso, mesmo que ele venha para responder em alguma penitenciária”, completou o irmão do Popó Bolsonaro. Sem apresentar indícios de mudança em seu parecer, Alexandre de Moraes ordena que por tempo indeterminado os 804 presos permaneçam confinados no Complexo Penitenciário da Papuda.

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