Milton Alves Júnior
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Sem ter onde morar, no último mês de maio seis famílias invadiram a Escola Municipal Francisco Costa Batista, bairro Rosa Elze, em São Cristóvão. No local elas permanecem instaladas sem perspectiva de quando devem deixar a unidade. Conforme os invasores, desde o ano passado o grupo vem pleiteando casas populares ou o repasse de auxílios moradia junto à Secretaria do Desenvolvimento Social e do Trabalho (Sedest), mas até o momento apenas colchões e mantimentos têm sido repassados pela prefeitura para as mais de 30 pessoas.
Para os pais e estudantes que estão impossibilitados de ter acesso às salas de aula, é preciso que o prefeito Jorge Eduardo busque encontrar soluções imediatas para o caso e evite que o ano letivo das centenas de crianças e adolescentes não sofra ainda mais com o impasse gerado. O eletricista Luiz Carlos dos Santos disse não entender como a administração municipal ainda oferece cestas básicas e colchões para um grupo de manifestantes que interferem diretamente no processo educacional dos alunos. Ele disse não ser contra a atitude das famílias que visam, em especial, proporcionar aconchego para as crianças e idosos neste período de inverno, mas entende que outras alternativas já poderiam ter sido adotadas.
"Estão tapando o sol com a peneira. Por um lado as famílias recebem o apoio da prefeitura e continuam morando na escola, mas por outro acaba permitindo que os nossos filhos, que não têm nada a ver com essa situação, fiquem sem aulas. Desde maio esta esse problema e agora a direção da escola disse que não vai reiniciar as aulas até que as seis famílias não deixem o colégio. Precisamos de um posicionamento mais rápido por parte do prefeito", destacou.
Segundo dados da Sedest, atualmente são 14 adultos e 10 crianças ocupando as dependências internas da escola. Este número é questionado por moradores que residem nas intermediações do espaço que deveria ser utilizado exclusivamente para proporcionar educação.
Este problema foi registrado inicialmente após as fortes chuvas e rajadas de ventos ocorridas no dia 27 de maio quando 12 famílias residentes na invasão Refúgio dos Idosos, localizada às margens do rio Poxim, ficaram desalojadas e seguiram para a escola. "Talvez naquela época o número de invasores fosse esse mesmo, mas de lá pra cá outras pessoas moradoras de rua já entraram e não saíram mais. Eu já vi muita gente vindo trazer comida e roupas para as famílias que estão aí, se assim continuar as aulas não devem começar tão cedo e esse é o nosso maior medo porque não queremos que nossos filhos fiquem sem estudar", afirmou a moradora do bairro e mãe de dois alunos, Rosely dos Santos.
Ainda pelos populares que aguardam com ansiedade a remoção das famílias foi dito que algumas famílias possuem condições financeiras suficientes para se manter sem o auxílio governamental. Outra crítica realizada refere-se a alguns invasores que possuem imóveis e estariam neste movimento em busca de outros bens para morar. Os denunciantes acusam a prefeitura de atuar administrativamente com omissão. Por meio de nota oficial a Prefeitura de São Cristóvão informou que: "Em nenhum momento a gestão municipal ou suas secretarias foram omissas em relação a esses cidadãos. Hoje essas famílias só continuam ocupando a escola porque elas têm se negado a serem atendidas através do Aluguel Social. Todas continuam sendo acompanhadas pelo Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) Gilson Prado Barreto".
A assessoria de comunicação do município esclareceu que medidas emergenciais já estão sendo adotadas com o propósito de conscientizar os habitantes a deixarem a escola de forma amigável. "Já nos reunimos várias vezes com essas famílias, numa tentativa de sensibilizá-las a sair do local, pois nosso objetivo é não prejudicar as famílias adjacentes, que têm filhos estudando na escola, inclusive as próprias alojadas. Nunca nos negamos a ajudá-las, mas sem um acordo é impossível dar andamento aos trabalhos", pontuou a nota.
Joselice Santana, que faz parte das famílias invasoras, disse que todas as respostas apresentadas pela prefeitura não correspondem à verdade. "Quem disser que está dando alimento aqui para a gente está mentindo. Não temos apoio nenhum da prefeitura e enquanto ninguém ajudar nossas famílias nós vamos continuar aqui. Estou aqui na escola com meu marido, meu cunhado e mais três crianças. Não temos para onde ir, não vamos deixar ninguém, principalmente as crianças com frio, e por isso enquanto não tiver casa pra a gente alugar ou uma casa popular pra a gente, vamos continuar aqui", informou.


