Historicamente, maio é o mês mais chuvoso, na capital sergipana, no entanto, neste ano, o volume de chuva registrado veio com características diferentes, superando o esperado. A média histórica é de 275 milímetros, entretanto, até a manhã desta terça-feira, 23, já foram registrados 455 milímetros, sendo que, nos últimos cinco dias, choveu mais que o previsto para todo o mês, um total de 282 milímetros.
Desde o dia 18, quando as chuvas começaram a se intensificar, equipes que integram o Comitê de Gerenciamento de Crise da Prefeitura de Aracaju reforçaram o monitoramento por toda a cidade e, a partir dos dados computados, ações preventivas foram desencadeadas, a exemplo da retirada de famílias do Largo da Aparecida, antes mesmo do transbordamento do Rio Poxim, no início da manhã desta terça.
Do dia 21 até as 11h de hoje, a Defesa Civil de Aracaju acompanhou a notificação de 66 ocorrências, entre elas 13 alagamentos, dois desabamentos, um risco de deslizamento de terra, cinco deslizamentos de terra, sete riscos de queda de árvores, quatro quedas de árvores e 26 avaliações de risco estrutural. Das ocorrências, foram realizadas três interdições totais de imóveis e quatro parciais.
Secretário municipal da Defesa Social e da Cidadania, Silvio Prado salienta que, mesmo com o volume grande de chuva, a cidade resiste bem, se comparado a anos anteriores. “Em outras épocas, esse acumulado traria muito mais ocorrências para a Defesa Civil. Com um volume muito menor, já acompanhamos, em outro momento, cerca de 50 ocorrências ocorrendo ao mesmo tempo e, hoje, até o momento, não tivemos nenhuma ocorrência de maior gravidade. Agora, nossa preocupação é devido à continuidade das chuvas, sobretudo com relação ao rio que está recebendo uma grande quantidade de água e não está tendo tempo de se recuperar. Por isso, estamos atuando na ação preventiva de retirada das famílias que estão em áreas de risco, próximas ao Rio Poxim, assegurando assistência e acolhimento em locais seguros”, frisa.
Ações – Através do Comitê de Gerenciamento de Crise, a gestão municipal atua por toda a cidade para evitar transtornos e diminuir os impactos, empregando medidas de limpeza e desobstrução da rede de drenagem, orientação no trânsito e atendimento a pessoas afetadas pelas precipitações.
Além da região do Jabotiana, onde fica o Largo da Aparecida, localidade mais afetada, agentes da Defesa Civil, e das empresas municipais de Serviços Urbanos (Emurb) e de Obras e Urbanização (Emsurb) já estiveram em locais como Robalo, Aruana, loteamento Copacabana, Atalaia, São Conrado, Jardins, Jardim Centenário, Salgado Filho e Santa Maria, bem como foi feito o monitoramento de canais como o do Riacho do Cabral, da avenida Airton Teles, do Santa Maria, do Lourival Batista, da Salatiel Santana, entre outros pontos.
Assistência – De maneira preventiva, equipes da Defesa Civil, Emsurb e Assistência Social iniciaram, no início da manhã de hoje, a retirada das famílias afetadas pela cheia do Rio Poxim, no Largo da Aparecida, região do bairro Jabotiana.
O Largo possui cerca de 250 famílias, destas em torno de 140 podem ser afetadas, sendo que 34 famílias são prioridades para a remoção, ou seja, aquelas compostas por idosos, pessoas com deficiência, acamados, gestantes ou com filhos pequenos.
Moradora do largo há 34 anos, Elizabeth Araújo revela que, mesmo na atual situação, ainda é melhor do que tempos atrás. “Nunca me aconteceu nada porque sou prevenida e minha casa é alta, mas a Prefeitura tem trabalhado e me sinto muito mais tranquilo porque, antes, era muito pior. Toda vez que começa a chover, já vejo gente da Prefeitura limpando e cuidado para prevenir”, conta.
Em caso de situação de risco, a população pode entrar em contato com a Defesa Civil pelo número 199.
Famílias do Largo Aparecida são removidas de casas


