Milton Alves Júnior
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Ao longo dos últimos meses o Estado de Sergipe tem se destacado em todo o Brasil por apresentar dados significativamente positivos em variados aspectos econômicos e na geração de emprego, por exemplo. Em contrapartida, lidera, na pirâmide invertida, ações sociais que podem melhorar e salvar a vida de centenas de pessoas. Nesse quesito, a doação de órgãos em Sergipe apresenta o pior índice da Nação, segundo dados do Governo Federal, divulgados através do Ministério da Saúde (MS). O número de doações no país cresceu em média 4% no ano passado, se comparado ao ano de 2012, mas esses índices poderiam ser maiores se parte das famílias sergipanas não recusassem doar os órgãos dos parentes.
Para se ter noção do problema, no ano passado em Sergipe 87% das vítimas que se declaravam doadoras de órgão foi sepultada sem de fato ser submetida a este tipo de procedimento realizado exclusivamente por órgãos públicos competentes. De acordo com a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos, Rosângela Amaral, os sergipanos permanecem cultivando a cultura de enterrar o parente com o corpo completo, sem nenhuma modificação. Em 2013 apenas seis familiares aprovaram a retirada. Esse tipo de atitude, além de evitar que outras pessoas fossem contempladas, assusta aquelas que estão há quase três anos esperando por um doador compatível.
Para mudar esse cenário, Rosângela enaltece a necessidade de ampliar as ações educativas e novos diálogos entre as próprias famílias. "Existe sim essa barreira familiar que desejam se despedir do parente com o mesmo corpo que ele veio para este mundo. Nós tentamos convencer as pessoas que o local do órgão doado será reconstituído, não fica deformidade nenhuma e essa atitude pode salvar muitas pessoas, mas poucos acabam aprovando a retirada", disse.
Diagnóstico seguro – A Central de Transplante de Sergipe informa que todos os procedimentos são realizados apenas por profissionais qualificados e selecionados pela central, e, caso a família deseje a presença de um médico particular, este pleito poderá ser atendido conforme disposição deste especialista.
O coordenador da central, Benito Oliveira Fernandez, garante que o diagnóstico é seguro em 100% dos casos. "Sabemos que isso dá mais segurança a sociedade de que realmente aquele diagnóstico é seguro. É preciso trabalhar mais nesse ponto porque temos filas grandes de espera e quanto mais doações, mais vidas serão beneficiadas aqui em nosso estado", afirmou o coordenador.
Conforme apresentado por médicos que trabalham exclusivamente nessas ações de conscientização e realização das doações, o Brasil tem hoje uma das legislações mais rigorosas do mundo e não há porque desconfiar dos transplantes.
Esta semana está sendo realizado em Aracaju mais uma edição da Semana do Doador. Para reforçar a campanha, a Igreja Católica também aponta as doações como uma prova de amor à vida e as pessoas. Segundo o padre Valterwan Correia Cruz, doutor em teologia moral e com especialização bioética, a partir do momento em que se tenha constatado de forma clínica a morte encefálica, os cristãos possuem a oportunidade de realizar este tipo de procedimento a fim de ajudar outras pessoas.
"Reprovamos quando a situação apresenta morte cerebral porque o tronco encefálico permanece vivo, mas no caso contrário a aprovação do transplante é considerado como um fator natural", declarou Valterwan, que concluiu dizendo: "Este é verdadeiramente o último ato de amor que uma pessoa no ato de sua morte pode dar a uma pessoa que está em uma grande fila de um banco de espera de órgãos dependendo daquela ação para sobreviver".


