Feirantes ocupam calçadas da Rio de Janeiro

Milton Alves Júnior

 

 

Manhã de tumulto e insatisfações populares na capital sergipana. A confusão começou ainda na madrugada de ontem, por volta das 3h30, quando dezenas de comerciantes da tradicional da feira do bairro Suíssa, na Avenida Augusto Franco (antiga Rio de Janeiro) foram impedidos de entrar na área externa do Estádio João Hora de Oliveira, e realizar o comércio que promoviam há mais três anos. Conforme comunicado apresentado aos feirantes, o Club Sportivo Sergipe (CSS), proprietário do espaço, estava insatisfeito por não receber qualquer tipo de incentivo. A Emsurb é o responsável direto pela coordenação e gestão dos mercados públicos e feiras livres.

Insatisfeitos com a desinformação por parte da Emsurb, os feirantes decidiram ocupar as calçadas, parte da avenida e o canteiro central para tentar garantir as vendas e evitar possíveis prejuízos. Nos dias 27 e 28 do mês passado, o conselheiro colorado, Reinaldo Moura, procurou a presidência da Emsurb a fim de resolver o problema, mas foi informou não ter responsabilidade com a feira.

Segundo a PMA, A interrupção da feira acontece por decisão unilateral da diretoria do clube Sergipe, e, que, Diretoria de Espaços Públicos da Emsurb está empenhada para reverter essa decisão em curto espaço de tempo, transferir os feirantes para outra localidade. O possível novo espaço não foi apresentado, nem existe a perspectiva de reunião com os feirantes com o propósito de debater a ocorrência. Sendo assim, segue indefinida a realização da feira na próxima semana. Em contraponto, ao ter conhecimento da nota oficial emitida pela Emsurb aos veículos de comunicação, o CSS lamentou que o fechamento dos portões tenha se feito necessário.

“O clube abriga a feira desde de 2014 e há pelo menos dois anos estamos tentando junto a Emsurb uma forma de compensação pelo uso daquele espaço sem sucesso. Diante dos fatos não nos restou outra alternativa se não comunicar a ambos, e aos feirantes, que a partir de ontem a feira não estaria mais autorizada para utilização das nossas dependências. Ressaltamos que não houve por parte do Clube rompimento unilateral e sim que tentamos a mais de um ano a devida solução para esta parceria sem sucesso”, replicou o Sergipe.

De acordo com a funcionária pública Elisabeth Mendonça, a maioria dos moradores defende a permanência da feira na localidade, desde que não seja mais realizada nas vias públicas. Conforme lembrança da moradora, a mesma feira já teve o local alterado devido aos problemas urbanos causados até o primeiro semestre de 2014. “Essa mudança já foi feita por causa dos problemas que geravam no trânsito e na vida daquelas pessoas que moravam diante das barracas. Me deixa triste saber que a administração pública teve todo esse tempo para se organizar junto ao clube, mas não fez isso. Estava cômodo, ao menos até agora que o Sergipe cansou de ser ‘bonzinho’”, avaliou.

As críticas seguem por parte dos feirantes. Para o vendedor de pasteis Daniel dos Santos, a falta de organização é o principal problema enfrentada pelos feirantes. “Foi uma triste surpresa chegar aqui e deparar com os portões fechados e a notícia que não poderia entrar para vender. A falta de respeito e atenção com nós vendedores foi muito grande e por isso todos estão insatisfeitos. Esperamos que a situação seja normalizada antes da próxima sexta-feira; dependemos da feira para manter nossa família”, disse. Eronilton Santos, coordenador das feiras em Aracaju, informou que durante a semana a Emsurb se reunirá com a SMTT e órgãos competentes a fim de reorganizar a feira.

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