Fim da linha

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Fábio Mitidieri, o escolhido do governador Belivaldo Chagas para disputar a sucessão estadual, ainda não despontou nas pesquisas de intenção de voto. Nome novo, por assim dizer, sem as máculas derivadas de uma presença destacada no cenário político da aldeia, ele tinha tudo para deitar e rolar, cair nas graças do eleitorado. Mas sofre a humilhação de ser ignorado pelos sergipanos, mesmo gozando de todas as benesses da máquina pública. Se os institutos de pesquisa estiverem certos – e não há razão para supor o contrário -, o candidato de Belivaldo não chegará a um provável segundo turno.
Há muitas razões para explicar o fracasso de Belivaldo. A mais evidente, talvez, revela-se no apagar das luzes de sua gestão. Para ficar somente em matéria de Cultura, o interesse primeiro desta página, basta dar uma olhada nas ruínas do Teatro Lourival Baptista. O prédio está em vias de ser completamente tomado pelo mato, passou anos a fio servindo apenas como estacionamento.
Um teatro, os leitores me perdoem a exegese de pendor beletrista, é um espaço mágico. Nas lonjuras do Bugio, por exemplo, o grupo Boca de Cena transformou o galpão adotado como sede em uma usina de sonhos. A gestão de Belivaldo faz justamente o contrário. Ao invés de abrigar os sustos e sopapos da gente sergipana, o Lourival foi reservado à ferrugem, à lata velha de automóveis abandonados.
Ano passado, provocada pela reportagem de um jornal, a direção da Funcap admitiu o descaso do governo estadual com o aparelho cultural sob a sua guarda. Segundo a assessoria de comunicação da Fundação, um orçamento foi solicitado à Cehop, tendo em vista a reforma necessária. Mas não havia recursos.
Esta semana, o Memorial do teatro sergipano, antes abrigado pelo Lourival Baptista, será transferido para o Atheneu, sob a curadoria de Grazzy Coutinho. Fala-se de erguer de novo um teatro nas ruínas do prédio antigo. Mas a reforma chega tarde, ainda que venha a ser concluída. Nada remediará os anos seguidos de aplausos mudos e erosão silenciosa. E é também por isso que Fábio Mitidieri não alcançará o segundo turno.

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