Fornecimento de água não foi totalmente regularizado

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Uma semana após a queda da ponte José Américo de Almeida, em Laranjeiras, moradores de bairros da zona Norte de Aracaju continuam enfrentando dificuldades quanto ao reabastecimento de água nas residências e pontos comerciais. O sinistro que ocorreu no sábado, 09, por volta das 13h, rompeu parte da adutora do São Francisco responsável por abastecer 70% de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros. Em caráter emergencial o Governo do Estado, através da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), deu início à obra emergencial que foi concluída na madrugada da última quinta-feira, 14. Já às 5h da sexta-feira, as bombas foram reativadas, mas até à tarde de ontem milhares de consumidores continuavam sem água nas torneiras.
Pela manhã, era perceptível a grande quantidade de pessoas em posse de baldes e garrafões vazios peregrinando pelas ruas na esperança de se deparar com algum caminhão pipa, ou cidadão que possui o sistema de bomba em casa e decidiu fornecer água de forma voluntária para os mais necessitados. Em meio à perspectiva de reabastecimento, a direção da Deso informou que até a noite de hoje mais de 80% da área prejudicada terá o serviço normalizado. A outra parte desta porcentagem corresponde a alguns bairros localizados nos pontos mais altos das cidades atingidas e estes moradores devem aguardar um pouco mais. A normalidade, segundo análise dos técnicos da companhia, pode ocorrer até às 12h desta segunda-feira, 18.
Críticos ao sistema, muitos aracajuanos disseram contestar as explicações do governo e lamentaram a situação que enfrentam há oito dias ininterruptos. Durante a semana foi publicada nota informando que, a fim de amenizar a problemática enfrentada por mais de um milhão de sergipanos, um rodízio de abastecimento utilizando adutoras do rio Poxim, Imbura e Cabrita seria articulado diariamente. Para os moradores da zona Norte essa promessa não foi cumprida como planejado, ou divulgado na mídia local.
Insatisfeito com o conjunto de problemas gerados devido à falta de manutenção na ponte que desabou, o auxiliar de pedreiro, José Sérgio, disse ter perdido uma semana de renda extra por causa da interrupção no preparo de massas. "Se a gente não tinha água em lugar nenhum e o preço do caminhão pipa subiu demais, o jeito mesmo foi parar uma obra que trabalho. Até eu se fosse dono iria parar, mas nesse caso a gente perdeu uma semana de dinheiro. Além disso, meus dois filhos não foram para a escola porque lá também não tinha água. Achei que ela iria chegar até a noite de sexta, mas nem agora pela manhã tem e aí complica ainda mais o nosso lado", relatou.
A direção da Deso ressalta que o abastecimento deve ser regularizado em 100% em até 24h. Com essa confirmação, as aulas em escolas municipais reiniciam o calendário letivo já na manhã desta segunda.

Vítimas – No momento do desabamento 40 cavalos guiados por quatro homens passavam sobre a ponte interditada há mais de 15 anos para o fluxo de veículos. As vítimas foram identificadas como Erivaldo Santos, de 44 anos; Adeilson Santos, de 25 anos; Juracir da Silva Santos, 63 anos; e o adolescente de 16 anos, Everton Conceição Bezerra. Os quatro foram retirados do rio com vida; foram atendidos por profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e em seguida encaminhados para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Ao serem diagnosticados com impactos e cortes leves, Juracir da Silva e Everton Conceição foram medicados e receberam alta médica no mesmo dia.
Com um quadro clínico mais preocupante, Erivaldo Santos necessitou ser internado pela neuro. Durante os primeiros atendimentos foi constatado um leve Traumatismo Crânioencefálico (TCE). Erivaldo permanece internado no Huse na área Verde Trauma para observação e pode receber alta em poucos dias. Já Adeilson Santos, este necessitou ser entubado ainda na noite de sábado após a equipe médica ter diagnosticado o paciente com preocupante desconforto respiratório. O jovem foi sedado, passou por exames de tomografia e posteriormente foi liberado da neuro. Na tarde da segunda-feira, 11, ele foi transferido para o Hospital de Cirurgia para realização de cirurgia de Fêmur, onde permanece aguardando pelo procedimento hospitalar.
Ao ser informado sobre o atraso para a realização da cirurgia, o diretor-presidente da Deso, Carlos Melo, garantiu que estaria compartilhando a informação junto ao secretário de estado da saúde, Zezinho Sobral, com o propósito de promover agilidade cirúrgica. Para analisar as causas do desabamento, uma comissão formada por técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) iniciou o serviço de perícia minutos após o colapso. Já o Ministério Público Estadual (MPE), garantiu que irá colaborar com as investigações e trabalhar pelo ressarcimento dos consumidores que foram prejudicados com a falta de água.

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