Segunda, 20 De Maio De 2024
       
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Forró e fome


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Publicado em 07 de maio de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Os mesmos argumentos de sempre.(Divulgação/PMA)

Rian Santos
 
Sergipe é o país do forró, cantou Rogério, um artista movido por orgulho legítimo. Do forró e da fome, acrescenta agora o IBGE,com precisão estatística.
Insisto no tema, certo de ser inconveniente. A silhueta magra dos esfomeados combina como painel terrível de um pintor moderno – Os Retirantes de Portinari, talvez. Não com os dentes arreganhados de nossos governantes.
A semana passada, o prefeito Edvaldo Nogueira era só alegria ao anunciar a programação manjada do Forró Caju. O alcaide convocou a imprensa e repetiu os mesmos argumentos de sempre. 
Diz-se que a festa movimenta a tímida economia local, tem o condão de atrair turistas, gerar empregos e renda. Ninguém demonstra, entretanto, uma relação inequívoca entre a realização dos grandes eventos do calendário festivo sergipano e a geração de riqueza.
A primeira edição do Forró Caju foi realizada em 1993, há mais de 30 anos. De lá para cá, a prefeitura de Aracaju já investiu uma verdadeira fortuna no espetáculo junino. A capital sergipana, no entanto, jamais ostentou o status de um destino turístico reconhecido em âmbito nacional, ou mesmo regional. Aqui, os dólares dos gringos não chegam.
A ausência de resultados notáveis não intimida os gestores da aldeia, não os impele à criatividade, não os convence da necessidade de pensar em novas abordagens e estratégias. Aqui, Cultura fica sempre em segundo plano, o poder público serve à indústria do entretenimento, subordina valor simbólico àscifras dos negócios.
O Forró Caju, Edvaldo jura de pés juntos, é uma festa capaz de rivalizar com qualquer arraial nordestino. O prefeito também faz coro à afirmação do empresário Fabiano Oliveira, para quem o Pré Caju é o maior Carnaval fora de época do Brasil. Trata-se de mera opinião. Os dois juram de pés juntos e depois se esbaldam juntos, metidos em um abadá de cores berrantes, abraçados nos camarotes.
A orla mais bonita, os maiores eventos, as melhores festas…Aos superlativos vazios dos governantes, acrescente-se uma verdade inconveniente: Sergipe lidera o ranking da fome. Em número de famintos, o alto do pódio é nosso.
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