Última sexta-feira (26), Gilberto Gil fez aniversário e celebrou a data com uma live. O artista baiano quebrou a internet, como dizem os mais jovens, em alusão a um evento de mídia com grande repercussão nas redes sociais. Entre os sergipanos de fino trato, a participação do conterrâneo Mestrinho foi aplaudida com o mesmo entusiasmo provocado pelas canções de Gil.Também pudera. O compositor é um gênio, mas o sanfoneiro não fica atrás.
Neste particular, Mestrinho passa longe de exceção. O virtuosismo de Cobra Verde, o amor roxo de Joésia Ramos e a energia descontraída da banda NaurÊa provam aos mais desconfiados: em se tratando de forró, o santo de casa não precisa fazer mais nenhum milagre. É somente com o fole do sanfoneiro Mestrinho, contudo, que a excelência transcende as afinidades eletivas para ganhar status de verdade.
Está no sangue. Nascido em Itabaiana, Mestrinho é neto do tocador de oito baixos Manezinho do Carira e filho do sanfoneiro Erivaldo de Carira. Com a música inscrita no próprio DNA, tão presente em sua vida, Mestrinho começou a tocar sanfona ainda menino, aos seis anos, quando mal podia com o instrumento. Desde pequeno foi influenciado pela música de Dominguinhos, Sivuca, Oswaldinho do Acordeon, Hermeto Pascoal, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elba Ramalho, entre outros. Mal sabia que logo seria aceito como um igual entre os seus maiores ídolos.
Mestrinho acompanhou Dominguinhos em diversos shows pelo Brasil, inclusive participando da última apresentação em Exu (PE), cidade natal de Luiz Gonzaga; trabalhou com Elba Ramalho por três anos, incluindo sua participação no CD "Vambora lá dançar", quando se apresentou em turnês nacionais e internacionais (Alemanha). Com Gilberto Gil fez turnês em festivais de jazz na Europa, Israel e Uruguai, e participou do lançamento do álbum "Gilbertos Samba". E por aí vai.
Há poucos dias, Hamilton de Holanda colocou a boca no mundo e anunciou o lançamento de um disco em parceria com o sanfoneiro. Pouco se sabe a respeito do projeto, mas qualquer um com um pingo de juízo bota a mão no fogo pelo tal álbum, desde já. O bandolinista é considerado um dos maiores instrumentistas em atividade. O sanfoneiro, mais uma vez, não fica atrás.


