Fórum Alternativo Mundial da Água é lançado em Sergipe durante seminário regional

O Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama) em Sergipe foi lançado oficialmente nessa sexta-feira, durante o seminário regional realizado no plenário da Assembleia Legislativa. O Fórum acontece em março do próximo ano, em Brasília, quando será realizada uma série de atividades de mobilização e conscientização, com o objetivo de tratar o tema na perspectiva da água como um direito e não mercadoria, realizando debates e abordando essa questão nas suas mais variadas interfaces. Na ocasião, o presidente da Federação Nacional dos Urbanitário (FNU), Pedro Blois, fez a apresentação do Fama, explicando seus objetivos.

Segundo ele, o Fama vem para fazer um contraponto ao 8º Fórum Mundial da Água, que também será realizado em março do próximo ano, bancado pelo governo federal e as grandes corporações internacionais que têm interesse na privatização dos serviços de saneamento dos municípios brasileiros. “Com esse Fórum, o governo quer a chancela das grandes multinacionais, sob a alegação de que a privatização vai melhorar a prestação de serviço, mas na prática a gente vê que não é isso”, disse, acrescentando que 237 cidades no mundo remunicipalizaram os serviços de saneamento, enquanto o Brasil quer vender suas empresas. Blois disse que o Fama será um evento grandioso, realizado de 17 a 19 de março de 2018, quando se espera 5 mil pessoas.

 O seminário regional que debateu a universalização do saneamento e o controle social e fez o lançamento do Fama Sergipe foi realizado através da Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) da Câmara dos Deputados, a partir de um requerimento dos deputados João Daniel (PT) e Givaldo Vieira (PT/ES), presidente da CDU, organizado pela FNU e a Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU), com apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgotos de Sergipe (Sindisan). Sergipe foi o segundo estado a realizar o seminário regional, quer acontecerá em todas as regiões do país.

 O deputado João Daniel, que representou a CDU durante o seminário, ressaltou a necessidade da defesa do setor de saneamento para que continue público. Segundo ele, não é novidade que este governo federal, que nasceu de um golpe fruto de arrumações da elite brasileira com o capital internacional e nacional, quer entregar as nossas riquezas, entre elas a água. “E é fundamental que a sociedade brasileira tome cada vez mais consciência da importância do saneamento básico sob controle social. O Brasil precisa fazer um plano nacional para garantir 100% da nossa população o direito ao saneamento básico e água potável e agora o governo federal tem exigido que os estados, para renegociar dívidas, privatizem as empresas estatais”, disse, acrescentando que é preciso compreender que saneamento básico é saúde pública.

 O seminário teve também a participação do engenheiro e ex-presidente da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), Abelardo de Oliveira Filho. Em sua apresentação fez um panorama da realidade da situação da água no mundo e especificamente no Brasil, mostrando que, apesar de o planeta ser formado em sua maioria por água, grande parte dela não pode ser utilizada para consumo humano. Apenas 2,5% da água no mundo é doce, estando quase 70% dela nas calotas polares. 12% da água doce no mundo está no Brasil. A agricultura é responsável por 70% do uso da água no mundo, 22% fica com a indústria e apenas 8% para o uso doméstico. No Brasil, o agronegócio utiliza um percentual de água ainda maior: 72%, sendo que o percentual para o consumo residencial é de apenas 6%.

Durante o seminário, foram tirados alguns encaminhamentos aprovados pelos presentes. Um deles foi a elaboração de um documento oficial pela CDU, solicitando ao governador de Sergipe, Jackson Barreto, que se pronuncie publicamente sobre o encerramento da questão sobre a privatização da Deso..

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