Fuga do Cope renderia R$ 4 mil por preso

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil revelou ontem novas informações sobre a fuga de nove detentos da carceragem do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), ocorrida na última segunda-feira. Segundo as investigações, o escape foi planejado por um dos presos, Antônio Clivio Lima de Santana, o "Bracinho", que teria oferecido um pagamento de R$ 4 mil a cada preso que aceitasse fugir com ele. Clívio foi recapturado junto com um dos fugitivos, Arlei Antônio Silva Filho, 34, anteontem, durante uma operação conjunta das polícias de Sergipe e Alagoas. Ontem, os dois foram apresentados à imprensa.

Segundo o diretor do Cope, delegado Jonathas Evangelista, a prioridade da ação de busca era prender Antônio Clívio, tido como líder de uma quadrilha que explodiu 12 caixas eletrônicos em Sergipe ao longo deste ano. O alagoano é considerado por Jonathas como a principal peça de todo o esquema da fuga. "Focamos no Antônio Clívio por acharmos que ele, dentre os nove, é o mais perigoso e o que daria mais trabalho. O que sabemos é que foi ele quem planejou a fuga dentro do xadrez, tendo contratado os outros oito presos que fugiram em sua companhia. Já apuramos que o Clívio ofereceu R$ 4 mil para cada preso para que o acompanhassem e o ajudassem na fuga", disse o delegado.

Ele explica que também que "Bracinho" e Arlei foram detidos em Arapiraca (AL), na saída de bar, mas estavam baseados em um sítio pertencente ao principal acusado, na zona rural da cidade vizinha de Igaci. "Tínhamos a informação anterior de que ele costumava frequentar Arapiraca e teria essa propriedade em Igaci. Solicitamos apoio ao Deic de Alagoas, mandamos uma equipe para lá e já na noite da terça-feira eles conseguiram encontrar o Antônio Clívio e o Arlei no bar em Arapiraca", relatou Evangelista, confirmando que apenas um homem estava na companha dos foragidos e conseguiu escapar, sendo este, provavelmente, um terceiro foragido do Cope.

Foi neste sítio em que os policiais sergipanos e alagoanos conseguiram encontrar 89 bananas de dinamite – equivalentes a 150 quilos de explosivos -, uma metralhadora calibre 9 milímetros, uma pistola calibre 765, máscaras e munições de fuzil e calibre 12. Este material estava enterrado em uma área do terreno e foi descoberto com a ajuda de uma escavadeira e cães farejadores da Polícia Militar de Alagoas. Conforme Jonathas, a descoberta confirmou uma suspeita levantada anteriormente pelas equipes de inteligência, segundo a qual um arsenal era guardado neste terreno para dar subsídio às ações da quadrilha, que já planejava explodir bancos e caixas eletrônicos em outras cidades nordestinas.

Outra descoberta, de acordo com o delegado, é de que Antônio Clívio usava uma identidade falsa em Arapiraca para escapar da polícia. "A gente já sabe que, em Arapiraca e em Igaci, ele era conhecido como Geraldo e se apresentava como um vereador. Lá, ele tentava passar a imagem de ser uma pessoa de bem e de posses. Usando estas informações, tivemos sucesso nessa recaptura", afirmou o delegado, lembrando que o alagoano tinha poder de liderança dentro do grupo, se responsabilizando pelo recrutamento dos assaltantes, o fornecimento de explosivos – muitos deles roubados de pedreiras – e escolhendo cada cidade e agência onde a quadrilha agiria.  

A dupla irá responder em Sergipe pelo crime de dano, por conta da fuga, e em Alagoas pelos crimes de porte ilegal de armas e munições, além de suborno, pois no momento da prisão, o Antônio Clivio ofereceu uma quantia em dinheiro para que os policiais os liberassem. Os dois estão detidos em um local não revelado e devem segui nos próximos dias para um presídio.

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