Milton Alves Júnior
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Por mais de uma hora os serviços de urgência e emergência do Hospital de Cirurgia ficaram suspensos na manhã de ontem em virtude de uma paralisação protagonizada por técnicos de enfermagem e servidores administrativos. O ato público ocorreu devido ao não pagamento salarial referente ao mês de dezembro, e pelo não repasse da segunda parcela do décimo terceiro salário. Por mais uma oportunidade, o problema ocorre em função de atrasos nos repasses financeiros que deveriam ser realizados pela Prefeitura Municipal de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Saúde. Durante a paralisação mais de 40 pessoas ficaram sem o devido atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Conforme destacado pela direção da Associação dos Funcionários e Amigos da Unidade (ASFA), o Governo de Sergipe e IPES Saúde também possuem débitos com a unidade hospitalar. Cálculos apresentados pelos funcionários que apoiaram o movimento indicam que a dívida, a qual ajuda a retardar o pagamento dos servidores, já chega a R$ 8 milhões, apenas por parte da administração municipal. Já as pendências do IPES Saúde estão calculadas em R$ 5 milhões.
De acordo com o presidente da ASFA, José Cícero de Souza, se estas pendências não forem quitadas até a próxima segunda-feira, 11, uma greve por tempo indeterminado pode ser deflagrada no Hospital de Cirurgia. "Os pais de família estão com as contas atrasadas porque os gestores não cumprem com as obrigações. Se o hospital continuar sem receber esses valores, como a direção já deixou bem claro, é possível que a categoria aprove em assembleia essa greve que só deve acabar quando as pendências forem pagas. Em 2015 estes mesmos atrasos nos causaram grandes problemas e não iremos aceitar que agora em 2016 os fatos continuem", afirmou. Cícero de Souza lamentou que, ao longo dos últimos dias a associação tem buscado o secretário municipal de saúde, Luciano Paz, mas o gestor reafirma que não possui data prevista para quitar os débitos pleiteados pelo hospital.
Diante desta informação atribuída a tendência é de seguimento no atraso do pagamento salarial e da gratificação natalina. A direção da Associação dos Funcionários e Amigos da Unidade destaca a necessidade do chefe do executivo municipal interver a favor dos técnicos em enfermagem e auxiliares administrativos. "É preciso que o prefeito João Alves Filho e os secretários de saúde e finanças paguem pelo menos R$ 1,5 milhão ao Hospital de Cirurgia. Apesar desse conclame, em reunião com a gente o secretário da SMS deixou bem claro que o município só deve repassar esse valor quando receber verba federal. Um repassa a culpa para o outro enquanto a classe trabalhadora segue em receber nada", lamentou o presidente.
Em nota, o diretor presidente da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia, Gilberto dos Santos, disse que "os valores devidos pela Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Saúde, referem-se aos atendimentos prestados à população no âmbito do Sistema Único de Saúde, o SUS.
É importante ressaltar que o Hospital de Cirurgia foi contratado para prestar atendimentos de média e alta complexidade à população através do SUS pela Prefeitura de Aracaju, que é a gestora do Sistema no Estado de Sergipe. Tais serviços representam por volta de 95% do total de atendimentos mensais do Hospital", informou.
Ação – Para ampliar ainda mais os problemas administrativos vivenciados pela direção do HC, o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (SEESE) avisou que pode entrar com uma Ação Civil Pública pelo não pagamento de diretos junto aos profissionais da enfermagem. Conforme esclarecido pela presidente Shirley Morales, muitos enfermeiros estão há vários meses sem receber os benefícios do INSS e do FGTS. Além disso, a segunda parcela do décimo terceiro salário também encontra-se em atraso.
"Infelizmente o Hospital de Cirurgia tem nos gerado muitos problemas ao longo dos últimos anos. Essas irregularidades estão sacrificando os enfermeiros que ficam aguardando uma solução que não chega. Diante destes problemas iremos sim acionar a justiça sergipana para que os nossos direitos como trabalhador sejam imediatamente respeitados", declarou. Uma reunião para tentar solucionar estes impasses está marcada para ocorrer na próxima quarta-feira, 13.

