Fuzil do Cope/SE é encontrado com quadrilha presa na Bahia

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de Sergipe confirmou ontem que um fuzil calibre 7.62 pertencente ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e que havia sido furtado de lá no final de 2011, foi parar nas mãos de uma quadrilha de assaltantes de banco que agiu em mais de 10 cidades do interior da Bahia. O grupo foi preso ao início desta semana nas cidades de Barreiras e Ipiaú (BA), durante a "Operação Cangaço" deflagrada pela SSP baiana.

A arma, de uso exclusivo da polícia e cujo calibre tem um altíssimo poder de destruição, foi identificada através da numeração e a notícia foi repassada nesta terça-feira à polícia sergipana, que enviou um delegado a Salvador para acompanhar as investigações e recuperar o fuzil. O caso foi investigado em um inquérito presidido pelo delegado Cristiano Barreto Guimarães, do Cope, e já entregue à Justiça. O autor do furto, cujo nome não foi divulgado, está preso desde a época do episódio e ainda responde a processo.

Segundo o porta-voz da SSP, Lucas Rosário, ele não é policial, mas fazia alguns serviços gerais na sede do Cope e tinha acesso livre ao local. "Esse cidadão era usuário de drogas, teve um período conturbado e começou a ter acesso ao Cope por conta até de policiais que sempre quiseram ajudá-lo. Passou por um tratamento demorado, conseguiu se recuperar e estava tentando voltar a trabalhar. Ele então foi contratado para fazer um trabalho de pintura e outros serviços no Cope, que estava em reforma na época, e tinha acesso inclusive à alimentação que sobrava dos policiais", explicou Lucas.

O inquérito apontou que o ex-usuário tinha permissão até para dormir na guarita externa do Cope, além de distribuir as refeições diárias aos agentes do Cope e aos soldados do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, que fica no mesmo prédio. De acordo com as investigações, o acusado aproveitou uma destas tarefas para arrombar um basculante e entrar em uma sala da unidade, onde pegou o fuzil e jogou-o para fora.  "Ainda naquela noite, ele trocou essa arma possivelmente por drogas, segundo o que foi relatado inquérito policial. Por conta desse histórico dele com o uso de drogas, é bem possível que ele tenha subtraído essa arma de fogo para isso", afirma o porta-voz, citando ainda a suspeita de que o autor do furto ter agido sob encomenda de alguma pessoa ligada a quadrilhas criminosas.

A apuração atestou ainda que não houve participação de policiais no furto, mas sim uma situação de "descuido" com a segurança das armas. O representante da SSP disse ainda que a prisão do ex-usuário foi um resultado direto das investigações do Cope e que restava apenas a localização do fuzil para o encerramento do caso. "Já vínhamos investigando o paradeiro da arma quando recebemos a informação da polícia da Bahia de que o fuzil estava com essa quadrilha. Num segundo momento, vamos continuar investigando com as polícias dos estados vizinhos, para descobrir qual a pessoa que receptou essa arma de fogo e como ela foi repassada para as quadrilhas mais organizadas", assegurou Rosário.

A quadrilha – O grupo que estava com a arma da SSP sergipana é considerado um dos mais perigosos do Nordeste e agia principalmente na região oeste da Bahia, roubando carros-fortes, caixas eletrônicos e agências bancárias. Um dos ataques mais ousados deu-se em fevereiro de 2012 na cidade de Amargosa (BA), onde os ladrões invadiram a delegacia da cidade, tomaram os policiais como reféns e roubaram as principais agências bancárias, usando armas pesadas e fazendo um "cordão humano" com outras pessoas tomadas como reféns no meio da rua.

Durante o cerco em Barreiras, o líder da quadrilha, Elizaldo Pastora da Silva, o "Brutus", morreu em uma troca de tiros com policiais. Outros quatro acusados, incluindo a namorada de "Brutus", foram presos em Ipiaú, onde se preparavam para roubar R$ 8 milhões de um carro forte. Além do fuzil 7.62 da SSP, foram apreendidas uma pistola de fabricação israelense, centenas de munições e outras quatro armas pesadas, incluindo um fuzil AK-47 de origem russa e uma metralhadora anti-aérea calibre 50, capaz de derrubar helicópteros e perfurar carros blindados. A polícia também apreendeu um Red-Dot (equipamento de mira a laser), carregadores alongados e diversas ferramentas empregadas no arrombamento de cofres e carros-fortes.

Outro caso – Um segundo caso de sumiço de armas da SSP aconteceu em março deste ano, quando uma submetralhadora Famae calibre 40 desapareceu da Delegacia Plantonista e foi apreendida em abril deste ano com o ex-presidiário Dalmo dos Santos Souza, 38 anos, integrante do grupo que assaltou, dias antes, as agências do Banese da Avenida Simeão Sobral (zona norte) e do Itaú da Avenida Hermes Fontes (zona sul).

Dois meses depois, um inquérito presidido pelo delegado Flávio Alburquerque, do Cope, concluiu que o crime foi cometido pelo travesti Gladiston dos Santos, 41 anos, conhecido pelos de apelidos de "Dilma", "Madona" ou "Gado", que também tinha livre acesso à Delegacia por conta de um círculo informal de amizades. A metralhadora foi recolhida de um armário e vendida por "Madona" a um traficante do conjunto Almirante Tamandaré, no bairro Santos Dumont (zona norte), que então revendeu a arma para Dalmo. A participação de policiais ainda é investigada.

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