Sábado, 06 De Agosto De 2022
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Cuca fresca


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Publicado em 29 de outubro de 2021
Por Jornal Do Dia


Todo ritmo

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O leitor repare na imagem que ilustra este artigo, a capa do álbum mais recente de Caetano Veloso. A cabeça do artista coroada por cabelos brancos. Sim, ele é já um senhor de idade, como diziam as tias velhas de outro tempo, quando eu ainda comemorava anos. Aos 79, continua chutando.

‘Meu coco’ soa como um romance de formação recitado de trás pra frente, faz alusão a um universo diverso, múltiplo, plural – a cuca fresca de Caetano. As referências estritamente musicais ecoam todo tipo de manifestação cultural, do baião ao funk, com uma esperteza muito particular. Os versos do compositor, por sua vez, passeiam, feito criança arteira, arteiros, aos saltos, no tempo.

Sim, Caetano é um artista com muitas histórias nas costas, poderia se dar ao luxo de viver dos louros conquistados nos anos dourados, quando atualizou a sintaxe da Música Popular Brasileira de olho nos acontecimentos do mundo. Também por isso, faz sempre questão de render homenagens aos colegas com quem trombou em sua própria jornada. Ainda agora, no entanto, de mãos dados com uma ruma de meninos, faz sugestões, compartilha vislumbres, teme e tem ânsia de futuros possíveis, aprende, como todo mundo.

Fosse alpinista, Caetano certamente falaria aos outros do alto do Everest, em código Morse, talvez, faria sinais de fumaça, tremendo de frio. Cantor e compositor, ele gravou um disco exuberante, cheio de pulso, todo ritmo. ‘Meu Coco’ nos dá razões de sobra para celebrar a longevidade do artista, a oportunidade de cantar, compartilhar, ver e contar, estar no mundo.

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