Terça, 09 De Agosto De 2022
**PUBLICIDADE
Publicidade

Esperteza demais


Avatar

Publicado em 01 de julho de 2012
Por Jornal Do Dia


Os irmãos Amorim deram na semana passada mais uma demonstração da maneira oportunista de como o grupo faz política. Sem um quadro próprio com densidade eleitoral em Aracaju, os donos da federação de partidos que integra o grupo passaram todo o primeiro semestre estimulando a candidatura do deputado estadual Zeca da Silva (PSC), às vésperas das convenções lançaram um balão de ensaio que foi o deputado estadual Venâncio Fonseca (PP), enquanto negociavam abertamente o apoio ao deputado federal Almeida Lima (PPS) e imploravam nos bastidores por um sim do ex-governador João Alves Filho (DEM).

Até o fechamento desta coluna ainda não havia uma definição, já que as convenções partidárias só seriam encerradas no início da noite de ontem, mas qualquer que tenha sido o desfecho deixa mais claro do que nunca o objetivo dos Amorim: a conquista do poder, independente dos meios a serem utilizados.

Muito antes do rompimento com o governador Marcelo Déda, em fevereiro deste ano, os irmãos Amorim já flertavam abertamente com João Alves Filho em função dos bons índices que ele já exibia nas pesquisas eleitorais para a Prefeitura de Aracaju. Uma aliança ainda não havia sido costurada em função da oposição aberta do deputado federal Mendonça Prado (DEM), que se transformou em inimigo – e não adversário – principalmente de Edvan Amorim. Sempre que tem oportunidade, Mendonça ataca com virulência a família Amorim, questiona o seu patrimônio e insinua irregularidades praticadas por ele no último governo João Alves (2003/2006). Mesmo irritado, Edvan parece não ter respostas e limita-se a dizer que não responde a "subalternos", como se João fosse o único do DEM que merecesse satisfação.

Em 2010, quando fez a opção em integrar a coligação do governador Marcelo Déda e garantir a eleição de Eduardo para o Senado, os Amorim estavam apenas preparando terreno para o objetivo maior do grupo, que é tomar o poder no Estado e restabelecer a política de compadrio e desrespeito às instituições, nas eleições de 2014. Antes mesmo de assumir o seu mandato de senador, Eduardo já estava pelo interior em campanha aberta para governador, num completo desrespeito aos aliados.
A forma truculenta como o grupo estimulou a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Angélica Guimarães (PSC), a antecipar em 12 meses a eleição da nova mesa diretora da AL, serviu como advertência de que eles pretendiam mesmo era tutelar o governador Marcelo Déda, impondo dificuldades para administrar. Déda reagiu e a forjada aliança foi desfeita.

O empresário Antonio Carlos Franco, irmão do ex-governador Albano Franco, costumava dizer que apoiar um candidato a prefeito não significava assegurar apoio para as eleições estaduais dois anos depois, garantia apenas o "direito à preferência" de negociar um acordo. Não é assim que os Amorim atuam. Eles simplesmente estão impondo aos candidatos a prefeito que terão apoio do grupo que se comprometam desde já com a candidatura de Eduardo ao governo do Estado em 2014. Até políticos bem avaliados, como o prefeito de Canindé do São Francisco, Orlandinho Andrade, estão sendo obrigados a isso. Evidente que, como dizia ACF, ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos dois anos.

Os Amorim estão indo ao pote com sede demais, agindo como se já tivessem um governo paralelo e representassem o futuro. Para um grupo que se diz tão hábil, parece ser um grande erro a antecipação do futuro. Dois anos não são dois meses ou dois dias como eles estão calculando.

**PUBLICIDADE
Publicidade


Capa do dia
Capa do dia



**PUBLICIDADE
Publicidade


**PUBLICIDADE
Publicidade