Segunda, 08 De Agosto De 2022
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"Gabriela" – um grande equívoco


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Publicado em 03 de julho de 2012
Por Jornal Do Dia


JULIANA PAES ESTÁ MAIS PARA MARIA MACHADÃO (FISICAMENTE) DO QUE PARA GABRIELA...

Não está sendo lá essas coisas, a tal "Gabriela" que a Globo programou para o horário das onze e diz ser de autoria (?) de Walcir Carrasco, inspirada no romance de Jorge Amado, será que "adaptação" não seria o termo exato? Mas, vamos lá: a julgar pelos primeiros capítulos, o folhetim nem de longe pode ser comparado à versão original realizada há trinta e sete anos, um marco do gênero na TV brasileira, inteligente adaptação, direção primorosa de Walter Avancini. E com a supervisão direta do autor Jorge Amado. Hoje, se Jorge estivesse vivo, não deixaria que uma obra sua fosse adaptada de forma tão equivocada, transformando-se numa paródia grotesca pontilhada por desempenhos caricatos e ridículos por parte da maioria dos atores. A começar por Antônio Fagundes, insuportável como o Coronel Ramiro Bastos, personagem vivido à perfeição na "Gabriela" original pelo genial Paulo Gracindo. Fagundes, intencionalmente ou não, é a imagem caricata do ex-governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães. Profundamente lamentável. Marcelo Serrado tenta imitar Fúlvio Stefanini com o personagem Tonico Bastos, até mesmo nas expressões faciais, mas sem a espontaneidade de Stefanini no melhor papel de toda a sua carreira na TV.
E o que dizer da protagonista, Juliana Paes? Sem dúvida, uma escolha infeliz em todos os sentidos. Em momento algum consegue passar a graciosidade, a pureza – até certo ponto – e a candidez da Gabriela vivida intensamente por Sônia Braga, ela que até hoje é lembrada como a "filha" dileta de Jorge Amado.
O mais espantoso foi a escolha da cantora Ivete Sangalo para viver a cafetina Maria Machadão, personagem da grande Heloísa Mafalda (incomparável) na "Gabriela" de três décadas atrás. Ivete deve voltar para cima do seu trio elétrico, porque em negócio de querer ser atriz a qualquer preço, tadinha, não está com nada.
Infelizmente, a "Gabriela" inventada agora pela Globo, não convenceu. A direção geral de Mauro Mendonça Filho, mantém distanciados os níveis de emoção e de verdade da história. Resta o trabalho de produção, esforço compensado em recompor época em reconstituições primorosas. Mas, isso não é suficiente para salvar a obra de um desastre de proporções lastimáveis

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