Quinta, 18 De Agosto De 2022
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O MEDO PLANETÁRIO


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Publicado em 17 de junho de 2012
Por Jornal Do Dia


O que tem a ver a campanha da preservação do rio Sergipe, liderada pelo jornalista Osmário Santos e a preservação do rio Nilo, no Egito, defendida pela ONU? Resposta: tudo a ver. Tudo faz parte do movimento universal erroneamente chamado de preservação  do planeta. Como correspondente do Jornal do Dia no evento da ONU Rio+20 me vejo na obrigação de fazer algumas considerações que certamente vão desagradar a muitos setores do ambientalismo moderno.
Já participei de muitos eventos em várias partes do mundo e sobre os mais diversos assuntos, mas nunca vi um encontro tão organizado, tão diversificado e tão inútil quanto esse Rio+20. Temos boletins de hora em hora em inglês, francês, espanhol e português. Tradução simultânea em mais de dez idiomas, telões, resumos, avisos, chamadas, segurança máxima e folgas mínimas. Tablets, Ipods, smartphones, rádios, televisões e satélites. Uma parafernália digna de um evento mundial, o mundo mudou para o Pavilhão 3 do Riocentro, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro onde chefes de Estado, Ministros e as mais importantes autoridades se movimentam pelos auditórios cercados por uma aparato paramilitar nunca antes visto, helicópteros cruzando os céus e agentes secretos futucando todos os cantos e labirintos. São representantes de mais de 200 países e mais de 1.500 jornalistas.
O encontro chama Rio+20 porque durante a ECO 92, também realizada no Rio, foi decidido que 20 anos depois todo mundo se reuniria novamente pra discutir o resultado das resoluções adotadas na época e avançar em novas decisões para o futuro. Lembro que a ECO 92, realizada durante o vergonhoso governo Collor, foi cercada de esperanças e de tanques. As ruas do Rio se transformaram em verdadeiras praças de guerra, com tapumes escondendo dos visitantes estrangeiros as favelas ainda não pacificadas onde o tráfico esbanjava poder e balas rasgavam os céus dos morros onde se disputavam lucrativos pontos de drogas.
Vinte anos depois, os parcos resultados daquele encontro serão pinçados dos relatórios que começam a ser apresentados. O mundo vai passar vergonha diante do mundo. Nenhum dos objetivos traçados em 1992 foi atingido. Nenhum. Só uma visão nihilista poderia afirmar que a ECO 92 não serviu para nada e que a Rio+20 é uma perda de tempo e de dinheiro. Mas também seria uma ingenuidade juvenil dizer que tanto um evento quanto o outro são ou serão responsáveis por algum avanço da Humanidade. A ECO 92 colaborou para a proliferação de ONGs e organismos voltados para o meio ambiente. A própria consciência universal do eco-sistema tomou corpo e fez com que parte das populações compreenda a responsabilidade pessoal e coletiva que temos para com o mundo onde vivemos.
Pense numa proposta para melhorar alguma coisa no planeta, a Rio+20 tem. Da equivalência salarial da mulher, defendida pela ex-presidente do Chile Michele Bachelet,  ao buraco na ozonosfera existem propostas, várias propostas para cada tema. Ninguém será capaz de acompanhar todos os assuntos desse encontro, até mesmo porque muitos serão simultâneos, nem nunca haverá tempo suficiente pra se ler todos os relatórios. Tem quem proponha desde a extinção do capitalismo até a criação da bolsa poluição. Uma feira livre da criatividade e da dispersão humanas, uma prova cabal da nossa incapacidade de sermos pragmáticos. Um dos pontos mais polêmicos será proposto pelo Brasil; a criação de um fundo mundial de US$ 30 bilhões para ajudar o desenvolvimento sustentável dos países pobres, assunto que os países ricos não querem nem ouvir falar pois estão mergulhados em suas próprias crises, embora os membros do G20 tenham crescido 8% nos últimos dois anos.
Aliás, desenvolvimento sustentável e inclusão social são os dois pilares mestres desse evento, expressões máximas das preocupações universais. Tudo deságua nestes dois postulados. O grande nó dessa movimentação toda reside em dois fatores: o primeiro é quem quer salvar quem? E o segundo é quem quer salvar o que? O pessoal do Bric (Brasil, India e China) além de querer salvar a si mesmos quer salvar todos os outros países em desenvolvimento criando mecanismos que os ajudem a crescer sem ter que pagar o alto preço da degradação ambiental. Os países ricos querem salvar eles próprios transferindo o ônus embiental para os mais pobres. O ponto comum  é que todos querem "salvar o planeta", hipocrisia de uns, ignorância de outros.
A grande questão não é salvar o planeta. Ele não está nem nunca esteve em risco.  Oplaneta está  aí há bilhões de anos e vai continuar por muitos outros bilhões. Quem acredita na ciência evolucionista de Darwin em contraposição ao obscurantismo criacionista do século XIX sabe que na era arqueozóica a terra era três vezes mais quente do que agora, bombardeada por meteoros  e foi quando surgiram as primeiras células vivas. Na era proterozóica começou a se formar a camada de ozônio que permitiu s formas de vida mais complexas, multicelulares. Na era paleozóica a Terra era um continente único onde começaram a surgir os primeiro vertebrados anfíbios que iniciam o processo de sair da água e a viver na Pangéia, quando se inicia o acúmulo de oxigênio na litosfera. No final dessa era surgem as plantas primitivas e os primeiros dinossauros e os insetos. Já na era mesozóica o planeta é dominado pelos dinossauros, surgem as primeiras flores e os primeiros mamíferos. Na era cenozóica que começa a 65 milhões de anos e dura até hoje acontece a formação de cadeias montanhosas e ocorre a extinção dos dinossauros e acontece também um grande desenvolvimento das espécies de animais mamíferos, que se tornam maiores, mais complexos e diversificados. Depois do término da migração dos continentes, o planeta assume o formato atual.- Por volta de 3,9 milhões de anos atrás surge, no continente africano, o Australopithecus (espécie de hominídeo já extinta). O surgimento do homo sapiens ocorre por volta de 130 mil a 200 mil anos atrás.A espécie humana é a caçula do planeta.
Vem era do fogo, vai era do fogo, vem era do gelo, vai era do gelo e o planeta continua aí. O que acontece hoje é que em nome do "salve o planeta" o que se quer na verdade é salvar a própria pele. O que está em perigo não é o planeta mas sim a vida dos humanos que aqui habitam e que optaram por um meio de existir absolutamente anacrônico e contraditório. Se Deus, em pessoa, baixasse no Maracanã no dia do final  da Copa e decidisse que o mundo seria justo e igualitário, que todos passariam a ter direito ao ideal de modo americano de viver, ou seja, três refeições por dia, uma casa própria, um automóvel e o os seus eletrodomésticos, nada disso aconteceria, mesmo com a decisão Dele. Não existe no mundo alimentos ou matéria prima para se fazer cumprir essa ordem divina. É impossível.
Portanto, o que está na verdade em discussão são os modos de produção e consumo adotados pelas sociedades ditas modernas. No meio dos salves as baleias, os rios, os oceanos, os micos-dourados, as araras-azuis, as florestas, os peixes-anãos e as quase-virgens, o que se tem que salvar é a Humanidade, essa espécie predadora que ocupa o alto da cadeia alimentar e que faz tempo anda comendo uns aos outros. As medidas paliativas a serem propostas durante a Rio+20 serão inúteis e ineficazes. A questão é estrutural. Daqui a 20 anos vamos voltar ao Riocentro e constatar que tudo está igual a 20 anos atrás, como na ECO 92, ou pior.
A Rio+20 é uma operação de guerra contra o futuro incerto e ameaçado do planeta Terra, invadido pelo medo de que tudo que é sólido se desmanche no ar e que tenhamos que viver entre os escombros de uma civilização que nós mesmos desconstruímos. O filósofo alemãoFriederich Wilhelm \Nietzche costumava dizer que a Humanidade era aquele "bolor" que vive numa crosta de2 mil quilômetros de altura em volta da Terra. Basta o planeta dar uma sacudidela mais forte para estirpar essa espécie daninha que até agora nem Deus foi capaz de salvar. Haja o que houver, o planeta vai continuar, vai estar aí, Com ou sem a Green Economy. Vivemos em pecado eterno do consumismo,da usura e do lucro por todos os séculos, seculorum, amém.

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