Terça, 09 De Agosto De 2022
**PUBLICIDADE
Publicidade

Os políticos sergipanos


Avatar

Publicado em 19 de junho de 2012
Por Jornal Do Dia


* Alberto Magalhães

Edvaldo Nogueira era visto por muitos como um político medíocre, como uma simples "carta na manga", um acessório dos estratagemas do político Marcelo Déda. Um "escudeiro" alinhado ao projeto do seu tutor, sem direito à opinião própria. O seu peso político era classificado como "peso pena" no painel dos políticos participantes dos certames eleitorais em Sergipe Del Rey, comparativamente a um Jackson Barreto, João Alves Filho e Marcelo Déda, consagrados em várias eleições, com considerável peso político em si mesmos.
Por sua vez, na década passada, Marcelo Déda despontava como o imperador sucessor do político João Alves Filho, como o herdeiro não legítimo, usurpador – embora pela via política legítima -, do seu staff político, porque não designado por aquele para esse mister. Ora João Alves, candidato vitorioso do então governador Augusto Franco, houvera destronado os Franco do controle político do Estado a partir do ano 1983, quando assumiu com independência o governo estadual e cooptou as lideranças políticas expressivas da nossa província em ascensão com o seu estilo de "aos amigos tudo, já aos adversários…". João Alves se estabeleceu como um incansável governador construtor na área estruturante e de turismo e teve influência direta na eleição do seu sucessor, Antônio Carlos Valadares, no seu retorno ao governo do estado e na eleição de Albano Franco como seu novo sucessor. Então teve o seu primeiro revés político na reeleição de Albano. Albano Franco, preterido por João na eleição de 1986 que sucedeu a este, em favor de Valadares, consolou a sua família e a si mesmo, articulando o enfraquecimento político de João, rompendo com este, lançando-se candidato à reeleição em 1988 e sendo eleito. Em 2002 João Alves volta ao governo, derrotando o candidato de Albano Franco e o candidato de Marcelo Déda, Francisco Rollemberg, PMDB, e Eduardo Dutra, PT, respectivamente. A oligarquia política ficou dividida no 1º turno, mas pendeu para João no 2º turno, que disputava com Eduardo Dutra. Depois, parte do grupo que apoiava João migra, com Albano, para a oposição e apoia a estrela luminosa do PT sergipano: o prefeito Marcelo Déda e na tentativa de reeleição o governador João Alves é derrotado, em 2006. Sendo novamente derrotado na reeleição de Marcelo Déda, em 2010. Contudo, desta vez, se fortalecendo na capital, onde historicamente era fraco, principalmente pela rejeição dos servidores públicos e seus familiares. Na herança política de Déda estão os ex-integrantes do staff de João: Valadares, Albano, Edvan e Eduardo Amorim e vários deputados estaduais e políticos do interior.
Voltemos a Edvaldo e Marcelo Déda. Enquanto Edvaldo era classificado como um "secretário para assuntos políticos" de Déda, este, prefeito da capital, era o novo fenômeno político, o pretendente ao posto do "Zeus" político do Estado, ou em linguagem nossa mais apropriada, ao posto de "cacique" da tribo engravatada. Era nessa nova função que Déda usurparia a posição política de João exercida por cerca de vinte anos, em que influenciou diretamente nos projetos de poder dos políticos sergipanos. Déda, depois de um bem gerido governo municipal, e por ser beneficiado com a popularidade do presidente Lula, se estabeleceu como o melhor candidato ao governo do estado. Mas… a estrutura político partidária não estava a seu serviço. Não estava inserida nos seus projetos políticos. Como se disse anteriormente, o staff político preponderante sempre estivera direcionado para outra liderança, para outro comando. Que, por sinal, era representante das elites política e econômica não só do estado de Sergipe, mas de parte do nordeste. Adversário dos funcionários públicos do estado, na sua base, e progenitor da elite sergipana no poder público.
Havia, por esse tempo, uma danosa estrutura sócio cultural, política, administrativa, judiciária favorecendo a promiscuidade entre todas as esferas do Estado – ente jurídico – permeado pela corrupção endêmica brasileira. Ao invés de se fiscalizarem e se ajudarem a evoluir tornaram-se cúmplices de um conluio que promovia o progresso pessoal e familiar dos integrantes de diversos e variados gabinetes do poder público e o colossal atraso social que levará muito tempo para ser superado. A ascensão do Partido dos Trabalhadores no Brasil começou a reverter esse quadro, embora alguns dos seus membros não tenham resistido à tentação de se locupletar com os aqueles que são beneficiários do dinheiro público e viciados na sujeira do dinheiro adquirido criminosamente, de consequências desumanas para o país.
Por todas essas questões, até agora vislumbradas, o político Marcelo Déda estava com dificuldades em consolidar o seu projeto político maior, que era o de convergir as facções políticas em evidência a fim de homologar o seu nome para ser o candidato a governador do maior e mais forte grupo do estado, tornando-se naturalmente o cacique político estadual. Déda então passou a compor uma coalizão político partidária a seu favor. E assim sucedeu. Mas não completamente como se esperava. Nisso se misturou ideal e pragmatismo, políticos profissionais e alguns de visão progressista. Extrai-se do passado que o engenheiro civil João Alves com maestria – ou engenharia política – formou o seu grupo político no tempo em que os grupos políticos só tinham um líder que mandava e decidia. Já Marcelo Déda foi praticamente escolhido por grupos que já tinham seu líder. Déda ao se eleger governador tornou-se o líder maior do grupo, ancorado por sub líderes: Jackson, Valadares, Edvan Amorim, Heleno Silva… Ocorre que nos seus respectivos grupos os sub líderes são líderes de fato. Os liderados estão parcialmente subordinados ao governador somente pela causa pragmática, no intento de se capitalizar para a próxima campanha e de atender às demandas dos seus eleitores, no entanto os seus projetos políticos pessoais estão em comum acordo com o seu líder imediato e muitas das vezes são traçados contrariamente ao projeto político do líder da coalizão, que jamais poderá convergir os interesses de todos. Acontece que numa coalizão cada líder dos segmentos quer ocupar o espaço que o líder maior deixará ao sair do posto conquistado pela coalizão e os outros cargos. Isso é natural. No mundo político, quem para definha e morre suprimido pelos concorrentes.
As correntes, que antes fluíam favoravelmente no rumo de Marcelo Déda, agora tomam rumos diferentes a fim de ocupar o primeiro lugar no ranking eleitoral, minando a base política da coalizão e das pretensões do político Marcelo Déda. Com isso contribuem para conduzir o líder maior para o desgaste político ao articularem e se projetarem contrariamente aos interesses do governador. Então surgem os conflitos internos como recentemente ocorreu entre o governador Marcelo Déda e os irmãos Amorim. Agora a águia Marcelo Déda, que alçou um exuberante voo rumo ao elevado Olimpo começa a descer rumo a não se sabe onde.
Nesse clima de instabilidade política, em meio a esse vácuo de certezas e confiabilidade, para minha surpresa, o prefeito Edvaldo Nogueira se notabilizou pela aptidão administrativa, pela coerência do seu discurso político e pela integridade de suas posições assumidas. Uma salutar herança nos legada por Marcelo Déda a revelar que o político escolhido para ser o seu sucessor na prefeitura da capital, antes que apenas um aliado despreparado e manipulado, é um político formado para o autêntico projeto do político Marcelo Déda, antes da pragmática e díspare coalizão. Essa é a real novidade, depois da luminosa estrela do PT.

* Alberto Magalhães, funcionário público estadual

**PUBLICIDADE
Publicidade


Capa do dia
Capa do dia



**PUBLICIDADE
Publicidade


**PUBLICIDADE
Publicidade