Gabriel Damásio
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O baiano José Humberto Machado Macedo, 32 anos, apontado como chefe de uma quadrilha de golpistas que fez, pelo menos, 16 vítimas em Aracaju, foi apresentado ontem pelo Departamento de Defraudações e Combate à Pirataria (DDCP) da Polícia Civil. Ele está preso desde o último dia 23, quando foi capturado em Campo Grande (MS), cidade onde morava em uma casa avaliada em R$ 350 mil. Na ação, os policiais sergipanos tiveram apoio de agentes de uma unidade de elite da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, que também o investigava.
O preso, cuja prisão preventiva foi decretada pela 1ª Vara Criminal de Aracaju, desembarcou ao início da tarde no Aeroporto Santa Maria (zona sul) e está detido em uma delegacia não-revelada. Humberto é acusado de, junto com outros comparsas, aplicar o chamado "Golpe da Boquinha", no qual os cartões ficam presos nos caixas eletrônicos através de um dispositivo artesanal instalado neles pelos marginais. Os crimes começaram a ser denunciados no final do mês de junho deste ano e foram investigados durante dois meses pelo DDCP e pela Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (DIPOL).
Os caixas usados pelos criminosos ficavam geralmente em locais de grande movimento e acesso não-controlado, como supermercados, praias, praças públicas, shoppings e outros estabelecimentos comerciais. A estratégia era combinada para criar um problema para quem fosse sacar dinheiro nos cashes. "Quando a vítima introduzia o cartão na máquina, tinha o objeto retido. E no mesmo terminal de auto-atendimento, próximo à tela, eles colocavam uma espécie de adesivo, contendo números de telefone 0800-(…) e 4003-(…), e a informação de que tais números pertenciam à central de atendimento do banco", explicou a delegada Maria Pureza Machado, do DDCP.
Depois que os cartões eram retidos, os clientes ficavam nervosos e, neste momento, uma mulher ligada à quadrilha passava-se por cliente e incentivava as vítimas a ligar para os números escritos no adesivo. "Na verdade, eles contavam com o desespero das vítimas que viam seus cartões presos dentro do cash.
Aproveitando esse momento de instabilidade da vítima, eles se aproximavam e informavam que já tinham sido vítimas desse problema e que, ligando para aqueles números dos adesivos, esse problema seria resolvido rapidamente. A vítima, aflita e desesperada, acreditava e telefonava para aqueles números", disse Pureza.
Tais números, por sua vez, eram direcionados a outros golpistas do bando, os quais se passavam por funcionários do banco e, alegando que liberariam os cartões, pediam às vítimas que informassem a senha e contra-senha dos cartões. O pedido era atendido, pois as pessoas achavam que estavam falando com a central de atendimento do banco. Depois disso, o falso bancário dizia que o cartão foi bloqueado e que outro seria entregue em sua residência. A vítima, sem imaginar que se tratava de um golpe, deixava para trás o cartão que acreditava estar cancelado, bem como todas as informações passadas por telefone.
"Na verdade, esses cartões eram resgatados pelos bandidos e eles saíam fazendo saques, empréstimos e transferências, causando um grande prejuízo às vítimas", disse Pureza, acrescentando que os estelionatários tinham preferência por mulheres e idosos, pois acreditavam serem estes mais vulneráveis aos golpes. Não foram encontrados cartões de vítimas com José Humberto, mas a polícia acredita que o dinheiro das vítimas foi usado para comprar bens e custear viagens, passeios e festas. A delegada não confirma, mas há a possibilidade de o DDCP pedir que a Justiça decrete a quebra do sigilo bancário de Humberto, além do sequestro de seus bens para ressarcir as vítimas.
O baiano foi o primeiro a ser identificado pela polícia e conseguiu a decretação de sua prisão preventiva. Em seguida, o paradeiro de Humberto foi avisado aos policiais sul-mato-grossenses, que fizeram a prisão. No entanto, as investigações ainda não terminaram: a polícia apurou que outros golpistas integram a quadrilha e estariam agindo, além de Sergipe, nos estados de São Paulo (onde ficaria a base do grupo), Mato Grosso do Sul, e Bahia, entre outros. As polícias destes estados estão sendo contatadas por Aracaju sobre o caso.
Alerta – A delegada Maria Pureza aproveitou a oportunidade para fazer um alerta às pessoas que utilizam os caixas eletrônicos. "É importante que as pessoas, principalmente idosos que são as vítimas preferidas dos estelionatários, fiquem atentas, pois com a proximidade de final de ano cresce a circulação de dinheiro e movimentação nos cashs, atraindo os estelionatários", explicou Pureza. Entre as dicas está a de não aceitar a ajuda de estranhos e ligar para os telefones oficiais dos bancos, impressos nos próprios cartões de crédito e ou que aparecem na tela dos cashes. "É importante ligar para este telefone e falar com uma pessoa que você conheça", completa.


