Depois de ficar 31 anos no comando de comarcas no interior do Estado, o juiz Alberto Romeu Gouveia Leite tomou posse ontem à tarde como desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). Anteriormente, ele era o titular da 1ª Vara Cível da Comarca de Itabaiana (Agreste), cidade onde ficou por 22 anos. Gouveia vai substituir a desembargadora Suzana Carvalho Oliveira, que se aposentou em fevereiro deste ano, e foi escolhido pelo pleno do TJSE em 4 de março, pelo critério de antiguidade no cargo.
A posse aconteceu no auditório do Palácio da Justiça, na Praça Fausto Cardoso (Centro), e contou com a presença de várias autoridades, incluindo o governador Jackson Barreto (PMDB) e o presidente da Assembleia Legislativa (Alese), Luciano Bispo (PMDB). Antes da posse, Alberto Gouveia falou aos jornalistas e defendeu uma maior valorização dos juízes de primeira instância, principalmente os que atuam em comarcas do interior. Segundo o novo desembargador, são estes magistrados que têm um contato mais próximo com a comunidade.
"Aproveitando a boa vontade do atual presidente Luiz Mendonça, que eu sei que ele tem, e também o fato de a valorização da primeira instância estar na ordem do dia, eu sem dúvidas vou cerrar fileiras em busca do aperfeiçoamento da prestação jurisdicional na primeira instância. As questões que chegam aqui [no Tribunal] são normalmente as questões mais complexas e que envolvem interesses de pessoas que têm uma condição econômica maior. As pessoas mais simples e mais humildes normalmente ficam na comarca do interior. O que pode não ser grande para outra pessoa é grande e importante para ela, e é lá na primeira instância que esses problemas são resolvidos. Claro que toda a Justiça Estadual como um todo precisa ser aperfeiçoada, mas a primeira instância deve merecer atenção redobrada e especial", argumentou Gouveia.
O magistrado afirmou ainda que a população tem buscado mais a Justiça para resolver vários tipos de questões, sobretudo após a Constituição de 1988. Para Alberto, a confiança da população criou uma proximidade entre Judiciário e Sociedade, mas a instituição precisa se abrir ainda mais. "Antes, as pessoas resolviam muito essas questões entre si. Hoje em dia, eu acredito que a Justiça está muito mais próxima do povo do que estava há muitos anos atrás. A Justiça tem hoje mais condições de dar respostas rápidas e interessantes à sociedade. Ela tem que se aperfeiçoar, se abrir mais à sociedade. Eu acho que a Justiça ainda é muito fechada para a sociedade. Tem que se acabar com essa distância que ainda existe", opina.
Alberto destacou também que o Poder Judiciário tem obtido vários avanços ao longo dos anos no Brasil, tanto no aspecto jurídico quanto no profissional. "Não apenas os juízes são hoje muito mais independentes, mas a Justiça também tem um instrumental melhor para trabalhar, tanto no material tecnológico e principalmente no material humano. Os juízes e os funcionários da Justiça têm hoje muito mais condições de se preparar. Não quero dizer aqui que os antigos sejam inferiores. Eles só não tinham o material técnico que temos hoje", pondera o desembargador, que ilustrou o tema com bom humor. "Hoje, um menino de três anos já sabe mexer no celular, e eu só fui conhecer um telefone quando eu tinha 10 anos! E era um daqueles pretos, de parede, que metiam medo. É uma diferença de gerações muito grande", revelou, aos risos.
Casado e pai de quatro filhos, Alberto Gouveia Leite nasceu em Aracaju, mas passou a infância e juventude em Pernambuco, onde se formou em Direito em 1971, pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em Recife. Atuou como advogado até 1984, quando entrou para o TJSE e assumiu a Comarca de Nossa Senhora das Dores. Em julho de 1992, foi promovido para a Comarca de Itabaiana e passou a responder pela Vara Cível da Comarca. Por todo este tempo, também atuou várias vezes como juiz eleitoral e na área criminal. (Gabriel Damásio)


