O governo Fábio Mitidieri deixa de executar obras reivindicadas pelos prefeitos e lideranças políticas não por falta de recursos, mas por inércia administrativa
O governador Fábio Mitidieri (PSD) quis demonstrar força política ao reunir 67 dos 75 prefeitos sergipanos para apresentar a chapa majoritária que pretende registrar para as eleições de outubro. Alguns dos prefeitos, no entanto, sequer sabiam qual a pauta do encontro e saíram reclamando da falta de atenção do governador com os interesses de seus municípios.
Um dos prefeitos, por exemplo, queixa-se de que nem as obras autorizadas durante o eleitoreiro programa Sergipe é Aqui, realizado ontem no município de Macambira, saem do papel. Esses atos não passam de oba-oba para apresentar em seus espaços pagos nas emissoras de tevê.
A única obra iniciada pelo governo Mitidieri em Aracaju, por exemplo, o chamado Complexo Maria do Carmo Alves, um novo corredor de trânsito que ligará a Avenida Tancredo Neves com o bairro Coroa do Meio, está apenas começando. O viaduto que servirá como base da obra ainda está sendo concluído. A previsão é de que a obra, composta também por uma ponte estaiada de 360 metros, seja concluída apenas em agosto de 2027, ou seja, apenas no próximo governo. E se Mitidieri não for reeleito em outubro, o cronograma da obra será mantido?
A construção da nova ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros, principal proposta de Fábio Mitidieri na campanha de 2022, ainda está no papel. Somente em março, o governador anunciou o consórcio vencedor para a execução da obra, que vai custar R$ 840 milhões, com um prazo de execução de 3 anos e 9 meses – ou seja, se tudo correr bem, só será inaugurada no final da próxima administração, em 2030.
Na quarta-feira (6), um sorridente Mitidieri posou para foto ao lado do secretário de Infraestrutura, Luiz Roberto, para assinar o Termo de Compromisso para execução das obras do Novo PAC, referente ao complexo viário da nova ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros. O documento, assinado em colaboração com a Caixa Econômica Federal, por intermédio do Ministério das Cidades, garante R$ 10 dos R$ 840 milhões previstos, para a montagem do canteiro de obras.
O governo Fábio Mitidieri deixa de executar obras reivindicadas pelos prefeitos e lideranças políticas não por falta de recursos, mas por inércia administrativa. Além dos R$ 2 bilhões que couberam ao estado com a concessão dos serviços da Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso, no ano passado a Assembleia Legislativa aprovou diversos projetos autorizando empréstimos que somam outros 2 bilhões.
Dois dos projetos aprovados são voltados à transformação da máquina pública. O primeiro é o Progestão-SE, no valor de até US$ 41,8 milhões (cerca de R$ 232 milhões), financiado pelo Banco Mundial (Bird), que vai ajudar a modernizar a gestão financeira, fiscal e patrimonial do Estado; já o Profisco III-SE, no valor de até US$ 60 milhões (aproximadamente R$ 334 milhões), patrocinado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foca no fortalecimento da administração tributária e da gestão fiscal; os outros dois pedidos de autorização para contratação de operações de crédito são destinados a financiar investimentos em infraestrutura e desenvolvimento urbano. O Programa Crema – Sergipe, que prevê até US$ 100 milhões em financiamento junto ao Banco Mundial (cerca de R$ 560 milhões), destina-se à restauração e manutenção proativa de 900 km de rodovias estaduais; o quarto projeto, com valor de até R$ 850 milhões, será contratado com instituições financeiras nacionais; o PDV, que contará com até R$ 100 milhões, será direcionado a servidores da administração indireta (celetistas).
E os R$ 2 bilhões da Deso? Estão aplicados no mercado financeiro rendendo, segundo afirmou o próprio governador, 15% de juros ao mês. Pelo templo de aplicação e com a remuneração anunciada, hoje esse capital já teria sido dobrado.
Os prefeitos vão continuar reclamando, mas nada de novo vai acontecer. Mitidieri agora só tem olhos para as eleições de outubro, quando disputa novo mandato.
Pintura sobre tela do artista sergipano Igor ChristianDivisão do PT
A tendência petista Articulação de Esquerda vai promover, neste sábado, um debate na tentativa de convencer a maioria do PT a desistir do acordão político com o governador Fábio Mitidieri (PSD). Esse grupo do partido da estrelinha defende que a candidata ao governo seja a jornalista Carol Rejane.
A aliança do PT com os governistas tem como principal objetivo reeleger o senador e presidente estadual do PT Rogério Carvalho e o presidente Lula, que defendeu a coligação. Os integrantes da Articulação de Esquerda vão apenas marcar posição.
MST na política
A reeleição do deputado federal João Daniel (PT) e a eleição do vereador aracajuano Camilo Daniel (PT) para a Assembleia Legislativa fazem parte da articulação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra visando ampliar a bancada da esquerda.
A iniciativa do MST envolve candidatos em 13 estados, com foco no fortalecimento de pautas da Reforma Agrária. Em 2024, o MST elegeu 133 candidatos, entre vereadores e prefeitos, e busca agora ampliar a presença no legislativo estadual e federal.
Renda dos ricos
Em 2025, o grupo formado pelos 10% mais ricos da população brasileira teve rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa. Esse valor é 13,8 vezes maior que o recebido pelos 40% mais pobres. Para essa parcela da população, o rendimento mensal foi R$ 663.
No ano anterior, essa relação entre os mais pobres e os mais ricos estava em 13,2 vezes. Apesar do aumento, o índice de 2025 é o segundo menor de uma série histórica iniciada em 2012.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.
Para elaborar o documento, o IBGE buscou informações sobre todas as formas de rendimento das famílias. Além de salários e bônus, entram na conta aposentadoria, pensão alimentícia, benefício social, bolsa de estudo, seguro-desemprego, aluguel e aplicações financeiras. O total calculado foi dividido pelo número de moradores do lar.
A pesquisa aponta que a diferença aumentou de 2024 para 2025 porque o rendimento dos 10% mais ricos subiu 8,7%, já descontada a inflação. Em contrapartida, a alta do grupo dos 40% mais pobres ficou em 4,7%.
Pedido de CPI
O vereador Ricardo Vasconcelos (PSD) defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar permissões, concessões e autorizações relacionadas ao uso de espaços públicos na capital. O parlamentar afirmou que recebeu denúncias envolvendo possíveis irregularidades e disse que o Legislativo tem obrigação de apurar os fatos.
Ricardo também rebateu críticas de que CPIs realizadas pela Câmara terminariam “em pizza” e afirmou que as investigações conduzidas pelo Parlamento municipal já resultaram em relatórios encaminhados ao Ministério Público. “Quando dizem que CPI na Câmara termina em pizza é porque não conhecem o trabalho feito aqui. As CPIs concluíram relatórios, apontaram problemas e encaminharam tudo ao Ministério Público. Isso não é acabar em pizza”, declarou.
O vereador afirmou que não pretende “prevaricar” diante das denúncias recebidas e disse que qualquer irregularidade precisa ser investigada, independentemente de quem esteja envolvido. “Quem não deve não teme. Se houver erro, cada um precisa responder pelos seus atos. O que não podemos fazer é fingir que nada aconteceu”, disse.
Ricardo Vasconcelos destacou que a discussão não é contra trabalhadores informais ou pequenos comerciantes que utilizam espaços públicos para garantir renda, mas contra possíveis favorecimentos irregulares.
Segundo ele, a CPI deve apurar critérios técnicos utilizados em permissões e concessões concedidas pela administração municipal. “Eu quero que o povo trabalhe, gere emprego e ocupe os espaços da cidade de forma organizada. O que não concordamos é com possíveis favorecimentos. Isso precisa ser esclarecido”, afirmou.
O parlamentar também citou denúncias relacionadas a construções e ocupações em áreas públicas e defendeu maior rigor na fiscalização urbanística. “Se um cidadão comum enfrenta exigências para construir, as regras precisam valer para todos. É isso que queremos entender”, disse.
Royalties de petróleo
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu na quinta-feira (7) o julgamento definitivo da lei que definiu regras de distribuição dos royalties do petróleo entre estados e municípios.
Após 13 anos, a Corte voltou a analisar o caso, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Não há data para retomada do julgamento.
Até o momento, a ministra Cármen Lúcia, relatora de cinco ações que tratam da questão, proferiu o único voto sobre a questão.
A ministra votou pela inconstitucionalidade da Lei 12.734/2012, conhecida como Lei dos Royalties. Entre as principais mudanças, a lei reduziu a participação da União nos royalties de 30% para 20% e criou um fundo para repassar parte dos recursos para estados que não produzem petróleo.
Em março de 2013, a ministra suspendeu liminarmente a lei ao atender ao pedido liminar feito pelo estado do Rio de Janeiro, um dos maiores produtores do país.
Mudança no INSS
A assistente social Vanessa José de Jesus Nascimento Moraes de Souza foi nomeada como a nova gerente-executiva do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Sergipe. A portaria com a nomeação foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) de sexta-feira (8).
Servidora concursada, ela assume o cargo após a ida de Ana Márcia Fassbender para assumir a chefia de gabinete do órgão em Brasília. Agora, Vanessa passa a coordenar as atividades previdenciárias e o atendimento das agências distribuídas pelo estado.


