Governo cria protocolo contra violência escolar

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Preocupado com o aumento do número e da gravidade dos casos de violência ocorridos em escolas, principalmente da rede estadual de ensino, o governo do Estado anuncia a criação de um "protocolo de contingência" para intervir rapidamente em situações de maior gravidade. Trata-se de uma articulação de todos os projetos desenvolvidos em parceria pelas secretarias estaduais de Educação (Seed) e Segurança Pública (SSP). Este protocolo foi um dos temas discutidos durante o III Seminário em Educação Cidadania e Paz nas Escolas, realizado durante todo o dia de ontem no Teatro Atheneu, no São José (zona centro), com a participação de educadores, dirigentes de escolas, policiais e guardas municipais.  
Atualmente, as duas repartições desenvolvem quatro projetos comuns de prevenção e combate à violência nas escolas: o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas), o Acorde (voltado para a resolução de conflitos), o Polícia Cidadã (com trabalhos sociais e recreativos da PM nas escolas) e o próprio Cidadania e Paz nas Escolas, além dos programas individuais Desarme-SE (da SSP, voltado para o desarmamento voluntário da população) e o Qualivida (da Seed, destinado aos servidores e professores da rede).
"Esse protocolo que está sendo criado as secretarias de Educação e Segurança nada mais é do que você ter essas formas e programas em rede, juntos, para apoiar esse coordenador ou professor que, em um momento de extrema gravidade, possa atender a este aluno e àquele malefício que foi cometido dentro de sua escola. O primeiro ponto deste plano de contingência é ir à escola, oferecer os programas de prevenção e perguntar à diretora e aos professores do que eles estão precisando. Isso não acontecia antes e agora existe um programa em rede", disse Fábio Costa, coordenador do Comitê Sergipano de Desarmamento (Desarme-SE), garantindo que a atual gestão da SSP está mais sensível ao trabalho preventivo nas escolas.  
Ainda de acordo com Costa, cada projeto será aplicado conforme a necessidade de cada escola e de cada caso. "Nós vamos à escola, abrimos comunicação com os professores e identificamos o problema. Exemplo: tem aqueles alunos que trazem as problemáticas vivenciadas pelos alunos no cotidiano para o convívio da escola e ali gera violência. O Proerd tem um trabalho belíssimo com palestras, tem o Polícia Cidadã, com o Choque dando aula de judô, com o Canil do Choque, com a Banda de Música da PM dando aula de música, o Acorde fazendo a mediação do conflito de um aluno que tem transgressão com outro, e o Desarmamento que já faz todo um trabalho de sensibilização dos alunos sobre a violência e a drogalização naquele ambiente", explica o coordenador.
O governo ainda não tem uma estimativa exata dos casos de violência escolar em Sergipe, mas Fábio Costa admite que a incidência é alta, principalmente no que diz respeito aos furtos e arrombamentos, ameaças e consumo de drogas. "Os dados estatísticos ainda são muito difíceis de ser coletado, porque alguns professores têm medo de passar esses dados, mas visualmente, até pela imprensa isso é colocado, o número da violência na escola ainda está alto, tendo em vista a falta de implantação desse protocolo de contingência", afirma Costa.
Na rede estadual, dois casos graves de violência chamaram a atenção. Em agosto de 2014, o professor de biologia Carlos Christian de Almeida Gomes, 32 anos, foi ferido com cinco tiros disparados por um aluno de 16 anos, dentro da Escola Estadual Olga Barreto, em São Cristóvão. Christian sobreviveu e se recuperou, depois de 78 dias internado. Já o adolescente se entregou à polícia e cumpriu medida socioeducativa. O outro caso foi o da estudante Gabriela da Purificação dos Santos, assassinada em janeiro deste ano, quando saía da Escola Estadual Jornalista Paulo Costa, no Bugio (zona oeste). O crime foi cometido por um adolescente de 17 anos que tentava roubar seu celular e matou-a com um tiro na cabeça. O menor também já foi apreendido. Após a repercussão dos casos, o governo decidiu intensificar a atuação dos programas de prevenção à violência nas escolas na capital e no interior.

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