GOVERNO FARÁ CASAS PARA QUILOMBOLAS

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, foi realizado durante todo o dia de ontem, na Comunidade Quilombola Maloca, em Aracaju, diversas atividades culturais e debates sobre as conquistas contabilizadas nos últimos anos pelos negros no Brasil. Reunindo dezenas de comunidades quilombolas procedentes de diversos municípios sergipanos, a atividade contou com o apoio do Governo do Estado.

O governador em exercício, Jackson Barreto, anunciou o investimento de R$ 9,075 milhões na construção de casas para comunidades quilombolas de Sergipe. O anúncio foi realizado durante solenidade de comemoração ao Dia da Consciência Negra, na comunidade Maloca, no bairro Getúlio Vargas.

"O Programa Nacional de Habitação Rural é realizado juntamente com a Caixa Econômica Federal e irá beneficiar seis comunidades quilombolas do estado. Esse é um dia importante porque o negro foi fundamental na formação do nosso povo e nosso país é multirracial. O Dia da Consciência Negra é um marco na nossa história, reforça a luta do povo negro pela igualdade racial", informou Jackson Barreto.

Para o presidente da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas de Sergipe, Luís Bonfim, o ’20 de novembro’ é também uma data de reflexão. "Para nós, negros e integrantes de comunidades quilombolas, é um dia especial, de manifesto, protesto e reflexão porque são mais de quatro séculos de escravidão. O racismo e o preconceito são questões de educação e de distribuição de renda", disse.

Fruto da parceria entre governo estadual e federal, o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) é executado pela Secretaria Especial de Promoção e Política da Igualdade Racial (Seppir). Em Sergipe serão construídas 363 unidades habitacionais nas comunidades Lagoa dos Campinhos, em Amparo de São Francisco; Pontal da Barra, na Barra dos Coqueiros; Resina, em Brejo Grande; Pirangi, em Capela; Mussuca, localizada em Laranjeiras, e Mocambo, no município de Porto da Folha.

Atividades – Ao todo, 25 quilombos de municípios diferentes participaram das atividades que tiveram início por volta das 7h. A comunidade Maloca, situada no bairro Getúlio Vargas, é conhecida devido o grandioso número de negros refugiados dos canaviais sergipanos, que se instalaram em Aracaju. Fundada por Seu José Andrelino, primeiro morador da comunidade, atualmente cerca de 80 famílias residem no local. "Aqui é o berço da nossa história. Perceber a presença de todas essas comunidades na Maloca é estar em casa, e ter a certeza de que estamos juntos em busca de outras vitórias na vida", concluiu Luiz Bonfim.

Representando a comunidade do povoado Canta Galo, de Capela, o coordenador Gilson Santos alegou que o dia é de festa, porém ao mesmo tempo de debates construtivos que possam de fato beneficiar a população negra no Brasil. "Essa união que estamos presenciando, apesar de estarmos no menor estado da federação, é de suma importância para que o nosso povo possa progredir ainda mais e conquistar os seus espaços dentro de uma sociedade ainda fechada para os negros", afirmou.

Durante a programação também foi realizada a apresentação de grupos folclóricos, rodas de capoeira, além de grupos musicais, a exemplo do projeto musical Afro- Bumbada Crilibé, fundado ainda no século passado pelos moradores da Maloca. "Felizmente, devido a recém reforma realizada aqui, não necessitaremos ir às ruas para mostrar nossas reivindicações. Hoje, podemos dizer que parte do sonho foi realizado. Nesse dia tão importante, já recebemos a visita do governador, da imprensa e da comunidade em geral. Torcemos para que em 2013 outros avanços possam ser comemorados no dia 20 de novembro", pontuou Gilson Santos. As atividades, em Aracaju, foram concluídas por volta das 19h.

Compartilhe esta notícia