Rian Santos
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Quando um filme digno de verdadeiro interesse tem previsão de estreia na modesta praça de Aracaju,os cinéfilos da aldeia estão certos de buscar guarita no Cine Vitória.
Eis o caso do longa metragem Presença, grande vencedor do Festival de Cinema de Vitória. No documentário de Erly Vieira Júnior, três artistas nascidos no Espírito Santo fazem de seus corpos o meio e também o objeto de sua arte.
O filme – Marcus Vinícius, Castiel Vitorino Brasileiro e Rubiane Maia construíram suas carreiras percorrendo o mundo em busca da reinvenção do próprio corpo a partir da performance, aqui entendida como uma cura decolonial.
Ao fazer seu corpo performático surgir numa explosão, e muitas vezes enfrentando riscos físicos, Marcus Vinícius se propôs, através da sua arte, transfigurar a dor em leveza e em silenciosos rituais cotidianos.
Rubiane sempre teve o desejo de voar como quem dança, mas o confronto direto com o racismo, após uma temporada vivendo na Europa, a fez buscar outros modos de conexão com os pés e pulmões ancestrais, que atravessaram o Oceano Atlântico na diáspora afro-brasileira.
Castiel se autodeclara triplamente curandeira (como psicóloga, artista e macumbeira), que “escolheu ser peixe antes de ser humana”, entende sua travestilidade como uma transmutação, numa conexão espiritual com as matas e a força das águas, capaz de romper as armadilhas da racialização e da colonialidade.
Questões como a relação com a paisagem e a conexão com a natureza e seus elementos, a fragilidade da experiência humana, a solidão existencial, a espiritualidade, a racialidade, a performance como uma metodologia de contato íntimo com o espectador, mas também de cura para quem performa, são alguns dos temas universais que o filme aborda, direta ou indiretamente temáticas aqui abordadas.
Presença no Cine Vitória:
Quinta, sexta e sábado, respectivamente às 15h45, 18h10, 18 horas.

