Greve de funcionários do Detran completa dez dias

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Servidores do Departa-mento de Trânsito do Estado de Sergipe (Detran) realizaram um ato público em frente ao Palácio Governador Augusto Franco (Palácio dos Despachos), em Aracaju. A categoria, que se encontra há dez dias em greve por tempo indeterminado, tenta pressionar o Governo de Sergipe para conquistar melhores condições de trabalho e reajuste salarial digno para a categoria. Enquanto a classe trabalhadora não entra em acordo com a administração pública, centenas de clientes estão sendo obrigados a aguardar por até três horas para serem atendidos. Esse transtorno popular ocorre devido ao efetivo de atendentes que caiu para menos de 30%, e assim deve permanecer até que a paralisação seja devidamente concluída.

Diante do impasse, sergipanos que necessitam em caráter de urgência de algum serviço realizado pelo órgão estão sendo ‘obrigados’ a se deslocar até a sede administrativa ainda durante a madrugada. Mesmo adotando este tipo de conduta, o falho serviço de atendimento não garante a assistência pleiteada. Um fato dessa natureza foi registrado na manhã de ontem quando o aposentado Ariosvaldo Santos lutava por uma vistoria automotiva. O cidadão disse ter chegado por volta das 5h, mas até às 11h não foi convocado para o respectivo atendimento. "Pra piorar a situação nossa aqui, ninguém do Detran vem dizer se vamos ser atendidos ou não. Se não for, será que vou ter que chegar aqui 3h? É melhor até ficar direto até amanhã", lamentou.

A depender do movimento grevista, 70% da categoria devem permanecer de braços cruzados por longos dias, ou semanas, caso o Estado permaneça sem realizar diálogos que possam resultar no fim da greve. Conforme foi anunciado ao Jornal do Dia pela direção geral do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran), há mais de um mês a classe trabalhadora tenta abrir canais de debates, mas o governo mostra-se indisposto. "A gente vem batalhando por melhorias já há vários meses, e desde maio tentamos negociar com a direção do Detran, mas lá ninguém ouve a gente. Então por isso decidimos deflagrar a greve e assim vamos continuar até que alguma contraproposta que satisfaça os servidores possa ser finalmente apresentada", afirmou o presidente sindical, Thiago Bomfim.

No início da tarde de ontem o Governo do Estado voltou a garantir, assim como fez na semana passada, que se encontra disposto a dialogar de forma progressiva junto aos sindicalistas, porém, necessita da compreensão de todos. Entre os atos compreensivos a serem adotados pelo Sindetran estaria a humildade em destacar que reuniões já foram reivindicadas pelo próprio órgão, mas parte dos servidores se nega a participar. A expectativa é que um encontro possa ocorrer ainda esta semana a fim de cessar o impasse e melhor atender o cidadão. "Estamos aqui justamente para pressionar uma audiência com o governador ou o secretário. Fomos informados dessa possível reunião daqui pra amanhã, mas até agora nada de oficial foi apresentado para a gente", pontuou o presidente.

Efetivo – Outra denúncia contra a categoria surge por parte da diretora de atendimento e credenciamento do Detran, Luciana Déda. Segundo esclarecimentos feitos pela gestora, o problema no procedimento que atinge centenas de clientes é possível devido ao não cumprimento da porcentagem mínima de funcionários em todas as centrais de atendimento do Detran. Segundo Luciana, caso a medida judicial estivesse sendo devidamente cumprida, o tempo para assistência seria menor. "O serviço está precário porque eles não estão respeitando os 30% exigidos na lei. Estamos tentando minimizar a situação com o apoio integral dos coordenadores e diretores, além, claro, dos estagiários e cargos comissionados. Sem eles o serviço estaria mais lento devido a essa falta do efetivo mínimo exigido pela legislação", destacou.

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