Milton Alves Júnior
A partir da próxima sexta-feira, 06, con-dutores e técnicos em enfermagem do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) vão parar as atividades por tempo indeterminado. Alegam a falta de cumprimento de acordo firmado no mês de maio do ano passado junto à Secretaria de Estado da Saúde (SES). Reunida em assembleia, a classe trabalhadora destacou na manhã de ontem que entre os itens pendentes há um ano e cinco meses está a unificação das parcelas fixas e variáveis para efeito de pagamento de hora extra trabalhada, como também a redução de carga horária de 36 horas para 24. Durante o período de paralisação do Samu, apenas 30% do efetivo estará disponível por respeitar a Constituição Federal.
Durante o diálogo da categoria, realizado na sede operacional no bairro Siqueira Campos, ficou definido também que na próxima terça-feira, 03, representantes das bases de assistência logística voltam a se reunir com o propósito de criar um cronograma de trabalho para os servidores que irão compor o efeito mínimo de 30%. Todo o diálogo sindical foi constado em ata e será encaminhado para o Governo do Estado, por meio da SES. Ainda na manhã de ontem este documento foi enviado imediatamente para a sede da secretaria de saúde, porém, como os trabalhadores públicos não atuaram ontem em virtude das comemorações alusivas ao Dia do Servidor Público, o comunicado apenas deve ser protocolado na manhã do dia 03.
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulâncias do Samu, Adilson Ferreira, a categoria se mostrou paciente quanto à demora para o Estado atender demandas articuladas no primeiro semestre de 2014. O sindicalista entende as dificuldades que serão geradas devido à paralisação, mas ele garante que esta medida só será possível por falta de comprometimento administrativo por parte da SES. "Nosso interesse nunca foi parar e causar prejuízos para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O que não podemos mais aceitar com naturalidade é essa falta de respeito junto à nossa categoria, e a falta de interesse dos gestores da saúde em nos atender para dialogar sobre este problema", afirmou.
Em decorrência da suspensão do expediente, até o início da noite de ontem nenhum gestor da Secretaria de Saúde foi encontrado para se pronunciar oficialmente sobre a mobilização estadual do Samu. No movimento grevista do ano passado a categoria esteve de braços cruzados por 64 dias e deixou de atender cerca de 10 mil sergipanos que necessitavam do apoio de ambulâncias. "Estamos avisando com uma semana de antecedência para que lá na frente não venham dizer que nós não comunicamos. A categoria vai parar e desta vez só vai voltar às funções quando os nossos direitos forem repassados. Chega de promessa sem cumprimento, os técnicos e os condutores do Samu não aguentam mais esperar", pontuou Ferreira.


