Os trabalhadores da fábrica de cimentos Itaguassu Agro Industrial, localizada no município de Nossa Senhora do Socorro, entraram em greve ontem, 14. O movimento acontece em protesto às demissões em massa, ao não pagamento da 2ª parcela da "PLR 2014" vencida nos meses de julho, agosto e setembro, assim como pelo não pagamento do salário de setembro, vencido em 05 de outubro.
A deliberação da greve partiu das assembleias realizadas nos últimos dias 06 e 07 de outubro. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Cimento, Cal, Gesso e Cerâmica dos Municípios de Aracaju, Itabaiana, Itabaianinha, Laranjeiras, Maruim, Nossa Senhora do Socorro, Pacatuba, Siriri e Simão Dias no Estado de Sergipe (Sindicagese), a suspensão das atividades estava condicionada aos pagamentos, como a empresa não fez até o momento, a paralisação está mantida.
"Tentamos várias formas de negociação, foram feitas reuniões, mas não foi possível avançar. As demissões continuam, os salários e a PLR estão em atraso e os trabalhadores já não podem esperar mais", explica Djenal Prado, presidente do Sindicagese.
A Itaguassu Agro Industrial é parte do grupo João Santos, que tem sede em Recife e tem como principal produto o Cimento Nassau. Segundo o Sindicato, a empresa alega a situação econômica no país para justificar o que ocorre na fábrica, o que é contestado pelos sindicalistas, já que o grupo está construindo uma nova unidade no Estado do Mato Grosso. "Entendemos que existe uma crise econômica no país. O que não dá é que os trabalhadores paguem por isso. Enquanto os trabalhadores de Sergipe amargam demissões e atrasos a empresa constrói uma nova unidade com incentivos fiscais, em outro estado. Não podemos aceitar", diz Djenal.
O diretor do sindicato aponta ainda o governador Jackson Barreto (PMDB) como corresponsável pela situação na fábrica. "Sabemos que a Itaguassu recebeu gordas isenções fiscais. É muito dinheiro que poderia ir pros cofres públicos e ser revertido em serviços para população. Esse dinheiro não foi recolhido em nome da ‘geração de empregos’, agora a empresa demite e o governo não diz nem faz nada. Jackson é também responsável por essa situação", afirma.
Nas últimas semanas já houve duas paralisações em setores da produção na fábrica. Os trabalhadores da caldeiraria e da ensacadeira cruzaram os braços devido ao atraso dos salários. Além da greve que começou ontem, o Sindicato tem buscado uma articulação nacional para uma campanha unificada dos sindicatos do setor cimenteiro em defesa dos empregos, junto com as reivindicações da campanha salarial. Com esse intuito participaram de encontro nacional em Recife no último mês de setembro. A greve é por tempo indeterminado.


