Milton Alves Júnior
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Permanecem de braços cruzados os servidores da saúde de Aracaju que na última quinta-feira, 11, deflagraram greve por tempo indeterminado. Conforme denúncias do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), a paralisação ocorre em virtude da falta de uma formalização escrita do cumprimento das promessas em relação às demandas dos trabalhadores, como o reajuste correto das gratificações, uma vez que estes servidores da Saúde não foram contemplados com o reajuste de 6,5% concedido pela prefeitura aos técnicos e auxiliares de enfermagem. Enquanto o prefeito João Alves Filho não atende ao pleito dos servidores, mais de 40 Unidades de Saúde da Família (USF) continuam com os atendimentos prejudicados.
Na manhã da última sexta-feira, 12, os profissionais tentaram promover uma manifestação em frente à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mas foram impossibilitados por agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Inviabilizando a passagem de um carro de som, os guardas provocaram uma maior fúria dos sindicalistas que apontam a atual gestão municipal como ‘incoerente’ e ‘ditadora’. Diante da mobilização generalizada, a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog) encaminhou um ofício enaltecendo o desejo de a Prefeitura de Aracaju debater o pleito junto com representantes da categoria. Sem constar a data no documento, a Seplog apontou um prazo de 90 dias para que os benefícios sejam atribuídos, ou não.
De acordo com o presidente do Sintasa, Augusto Couto, a direção do sindicato ficou surpresa e espantada com a falta de conteúdo no documento. Segundo ele, o oficio estaria com informações soltas e que pouco representaria progresso para o desejo dos servidores. "Eles assinaram um documento, mas sem colocar data informando, por exemplo, o dia que iria colocar a incorporação das gratificações da categoria. Somente em relação à insalubridade tem prazo. Então não adiantou nada. Ficou tudo muito solto. Houve a informação da parte deles que já haviam incorporado as gratificações de algumas áreas, mas temos aqui contracheques mostrando que não foi pago. Queremos de volta o que é direito do trabalhador", disse.
Em virtude do impasse administrativo entre servidor, prefeito e secretários, amanhã a partir das 7 horas está previsto para ocorrer uma manifestação na frente da Prefeitura de Aracaju, localizado no Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos, bairro Jabotiana. A esperança, segundo o presidente, é que o prefeito não volte a autorizar a SMTT e agentes da Guarda Municipal a inviabilizar o acesso dos manifestantes para frente da sede administrativa. "Temos que repudiar este ato por parte do prefeito de Aracaju porque nós não somos marginais. Nunca na nossa história de luta sindical fizemos vandalismo.
Então, é uma afronta as servidoras que estão fazendo este ato pacificamente", pontuou Augusto Couto.
Em virtude da inadimplência por parte da prefeitura, assim como vem denunciando a direção do Sintasa, a ausência constante de incorporação desta gratificação desde o ano passado já gera um índice acumulado em 50%. Na noite da última sexta-feira o prefeito da capital participou de uma caminhada eleitoral pelo centro de Aracaju. Após discurso e pedir voto para o candidato a governador Eduardo Amorim, e para a reeleição de Maria do Carmo Alves, o chefe do executivo municipal concedeu breve entrevista ao Jornal do Dia.
Questionado sobre a falta de entendimento junto aos servidores da saúde, João minimizou a situação. "A greve? Que greve? O que importa destacar é que os postos de saúde estão funcionando com maior tempo, respeitando todos os agentes de endemias e reformando algumas unidades. A saúde do nosso povo melhorou em Aracaju e vai melhorar mais ainda a partir de janeiro com Eduardo Amorim governador", declarou.
A greve, minimizada pelo prefeito, conta com mais de 250 profissionais mobilizados. Esse número resulta em 70% da categoria e um transtorno assistencial para mais de 20 mil pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).


