Milton Alves Júnior
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Profissionais da saúde que prestam serviços para a Prefeitura de Aracaju realizaram na manhã de ontem mais um ato público contra a falta de diálogo entre a gestão municipal e a classe trabalhadora, representada no ato de ontem por 10 categorias. O impasse entre os funcionários do Sistema Único de Saúde (SUS) e a administração do prefeito João Alves Filho se arrasta desde o mês de dezembro do ano passado quando uma lista de reivindicações foi apresentada a pedido do próprio prefeito. Desde então as categorias não foram convidadas para debater assuntos como: reajuste salarial, pagamento de hora extra, qualificação estrutural das unidades de atendimento e promoção de concurso público.
Em greve por tempo indeterminado, a concentração foi realizada debaixo de forte chuva e rajadas de vento na Praça General Valadão, centro da capital, em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Finanças. A pasta da saúde pública de Aracaju é a única da esfera administrativa que permanece sem contabilizar o mínimo de reajuste salarial referente a este ano de 2016. Além disso, este grupo é o último a receber os respectivos salários. A paciência com João e o grupo gestor há meses já alcançou o ponto máximo de cada servidor.
O Jornal do Dia esteve presente na noite do último domingo, 26, no mercado central onde segue sendo realizado o Forró Caju na tentativa de ‘arrancar’ alguma reposta do prefeito. Questionado, enquanto tentava transparecer um clima de fraternidade junto aos aracajuanos, João Alves se mostrou ciente da pergunta, mas preferiu se manter em silêncio para a nossa equipe. Também sem obter respostas, o presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), João Augusto, destacou que esta postura tem sido adotada pelo gestor todas as vezes que o assunto é abordado.
"Se a resposta de João em silêncio foi dada pra vocês essa semana, pra nós trabalhadores tem sido desde o ano passado. Infelizmente como vocês podem observar aqui em frente à secretaria de finanças ele bota é a Guarda Municipal para evitar que a gente tente entrar e conversar com o secretário. Nunca vi médico nenhum realizar baderna", lamentou o sindicalista. Além dos médicos, também seguem mobilizados profissionais da enfermagem, nutrição, psicologia, odontologia, agentes de combate a endemias e mais quatro classes. Os serviços em todas as unidades de saúde seguem com efetivo médio de 30%, conforme solicita a Constituição Federal.
Denúncia – Durante o debate realizado na praça entre os sindicatos, líderes grevistas voltaram a destacar que setores da PMA estariam contratando profissionais da saúde de forma terceirizada a fim de minimizar os efeitos da mobilização que se arrasta desde o dia 01 de junho. De acordo com a enfermeira e diretora sindical Gabriela Pereira, as informações têm sido catalogadas e repassadas de forma paulatina para órgãos de fiscalização como o Ministério Público Estadual (MPE) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE). O presidente da Corte de Contas, conselheiro Clovis Barbosa de Melo já recebeu parte dos documentos que oficializam a denúncia.
"Não atendem às nossas reivindicações e ainda por cima estão contratando colegas por meio de ação terceirizada para não deixar as unidades com baixo efetivo. Tempo para conversar com a gente e dinheiro João diz não ter, mas para contratar terceirizados e ir para o Forró Caju ele tem. Essa tem sido a pior gestão pública para nós que trabalhamos na saúde pública de Aracaju", disse. Após os discursos e bloqueio de via, os manifestantes realizaram assembleia onde deliberaram os atos a serem promovidos nos próximos dez dias.


