Greve no INSS amplia fila de espera

No terceiro dia de mobilização grevista realizado por servidores técnicos-previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a classe trabalhadora voltou a promover ato público em frente à agência localizada no bairro Siqueira Campos, em Aracaju, e pressionar o órgão para atender a pauta nacional. O JORNAL DO DIA tem acompanhado o trabalho de diálogo da classe trabalhadora, bem como a fila de espera pelo conjunto de serviços ofertados pelo Instituto. Sobre este cenário, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindprev-SE), tem garantido que o sistema será gradativamente normalizado após o fim da greve.
Apesar de o número de contribuintes aguardando atendimento não ter sido zerada – conforme prometido pelo governo federal no ano passado -, a direção nacional do INSS revelou que de setembro de 2023 a abril deste ano, houve uma redução de 37% no número de segurados que esperam para passar por uma perícia médica. Isso representa mais de 400 mil pessoas. Enquanto em abril do ano passado, 1.178.123 cidadãos aguardavam na fila, em abril deste ano esse número caiu para 743.433. Essa diminuição se deve às melhorias implementadas no Atestmed – ferramenta de análise de documentação médica para concessão benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença).
De acordo com o coordenador geral do Sindprev-SE, Deivid Christian, metodologias desenvolvidas em situações anteriores serão aplicadas novamente para regularizar o fluxo de atendimento impactado pela greve. Sobre a greve nacional, ele destacou que: “o governo Lula contratou em 2023 aproximadamente 1.700 servidores, mas devido à desvalorização da carreira, más condições de trabalho e sobrecarga que se mantém, mais de 250 servidores recém-contratados pediram exoneração. Por isso é preciso valorizar os servidores do INSS. Nos governos Temer e Bolsonaro, sofremos 7 anos de arrocho salarial. No ano passado o governo Lula nos concedeu um reajuste emergencial de 9%, mas amargamos 40% de perda salarial acumulada com Temer e Bolsonaro, então nosso salário segue achatado e pouco atrativo”.
– Via nota pública o Ministério da Gestão e Inovação informou que apresentou uma proposta à categoria que prevê ganho acumulado de 24,8% entre 2023 e 2026 para os servidores ativos e inativos. De acordo com a pasta, esse ganho cobre as perdas inflacionárias do governo atual e parte das perdas de gestões anteriores. A atual proposta também prevê alongamento da carreira de 17 padrões para 20 padrões; manutenção da remuneração de ingresso do nível superior e nível intermediário com valorização do vencimento básico e criação de gratificação de atividade em substituição à Gratificação de Atividade Executiva (GAE). Houve manifestação ainda sobre a oferta de assistência virtual.
Neste período de instabilidade entre gestão e servidores, o INSS pede aos usuários do sistema que fiquem atentos às seguintes orientações: “mais de 100 serviços do órgão podem ser realizados pela plataforma ‘Meu INSS’, disponível para download em celulares com conexão com a internet e para acesso via computador. A Central de Atendimento 135 também funciona de segunda-feira a sábado, das 7h às 22h. Os segurados que necessitarem de algum serviço do INSS, como requerimento, cumprir exigência, solicitar auxílio-doença, por exemplo, podem usar esses meios. Ainda assim, a paralisação pode afetar os processos de concessão de benefícios como aposentadoria, pensões, Benefício de Prestação Continuada (BPC), atendimento presencial e análise de recursos e revisões. (MAJ)

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