A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE) confirmou ao JORNAL DO DIA que a Superintendência da Polícia Civil, por intermédio de profissionais com atuação na Delegacia Especial de atendimento a crimes Homofóbicos, Racismo e Intolerância Religiosa, investiga a agressão sofrida por um grupo de seguidores da organização religiosa de matriz africana, Candomblé Ketu. Na noite da última quarta-feira (1), o setor plantonista do Departamento de Atendimento aos Grupos Vulneráveis (DAGV) foi procurado pelas vítimas após, conforme denunciado, terem sofrido espancamento em uma lanchonete localizada no bairro Ponto Novo, zona Oeste de Aracaju. Uma denunciante teve o rosto marcado por escoriações e hematomas.
As primeiras informações indicam que uma das pessoas agredidas teria se levantado da mesa onde estava, tendo como destino o banheiro do estabelecimento comercial. Ao se aproximar do espaço privativo, teria encostado no veículo de um dos supostos agressores; neste momento um homem se levantou e começou agredis verbalmente a primeira vítima. Na tentativa de minimizar o conflito, um amigo do grupo Candomblé Ketu também se levantou e tentou promover o afastamento entre os dois. Neste momento houve o primeiro ato de violência física, seguido por um embate generalizado. Com base no princípio dos ataques verbais, o caso está sendo analisado como possível crime de homofobia e racismo religioso.
A protagonista desta tentativa de acalmar os ânimos foi a ekedi Ila Danielle, do Ilê Axé Ofaderewa. Ainda conforme destacado por ela durante depoimento prestado à Polícia Civil, um dos seus amigos teria se encostado no mesmo veículo. “Ele desencostou, só que nessa o rapaz soltou um comentário homofóbico e veio em nossa direção, como se fosse agredir ou falar alguma coisa para meu filho. Mas eu intervir antes, fui até o rapaz, e pedi a ele que não houvesse confusão, que ele já havia saído. Eu estava conversando com este rapaz, o dono do carro, que me ouviu, de forma pacífica. Do nada, surge um rapaz que estava em outra mesa e começa a gritar: você sabe quem sou eu? Durante a agressão um deles utilizou cadeiras da lanchonete”, denunciou.
Por orientação dos policiais plantonistas, Ila Danielle foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML), onde realizou exame pericial de lesão corporal. Durante pronunciamento na sessão do Pequeno Expediente, na Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese), a deputada estadual Linda Brasil (Psol) destacou que é de fundamental importância que sejam criadas políticas públicas eficazes e capazes de garantir o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o qual equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo previsto na Lei Federal 7.716/1989. Precisamos combater esse tipo de violência de forma permanente e séria, e é responsabilidade do Estado garantir um ambiente seguro e inclusivo para toda a população.


