Gabriel Damásio
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A Polícia Civil apresentou ontem novos detalhes sobre o grupo investigado pela ‘Operação Ostentação’, que foi deflagrada nesta quarta-feira e terminou com a prisão de 13 acusados de envolvimento com crimes de estelionato. A quadrilha, baseada em Aracaju, é acusada de clonar e usar cartões de crédito de terceiros, causando um prejuízo de mais de R$ 1 milhão a comerciantes, clientes e empresas do setor. Os presos, 10 homens e três mulheres de classe média, foram interrogados por todo o dia e enviados para carceragens de algumas delegacias da capital. Ao todo, a Justiça expediu 14 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão, os quais foram cumpridos durante a operação.
Entre os que tiveram a prisão decretada, apenas um permanecia foragido até a noite de ontem: Jeferson dos Santos Lopes, o ‘Tom Lopes’, que já respondeu a processos por estelionato e chegou a ser condenado em 2004 pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). Segundo as investigações, ele era diretamente ligado a Thiago Mateus Santana Macedo, 25 anos, apontado pela polícia como líder da quadrilha e que morreu em 18 de abril deste ano, após cair da janela de um prédio no Conjunto Augusto Franco (zona sul). Cinco parentes próximos de Thiago estão entre os presos, sendo a esposa, três irmãos e uma cunhada. (Veja a lista no boxe)
De acordo com a delegada Rosana Freitas, diretora do Departamento de Defraudações e Combate à Pirataria (DDCP), o esquema começou a ser investigado em dezembro de 2015, quando um homem foi preso em flagrante ao tentar usar um cartão clonado para pagar compras feitas em um supermercado no Shopping Prêmio, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). "Durante a lavratura desse flagrante, feito na época pelo delegado Ronaldo Marinho, foram obtidas informações que permitiram a continuidade das investigações, que culminaram nas prisões da operação", disse ela, confirmando que o acusado estava a serviço dos outros integrantes da quadrilha e tinha a função de fazer compras com os cartões adulterados.
A polícia apurou que os dados das vítimas eram obtidos por meio de pessoas que tinham acesso aos sistemas dos cartões de crédito, seja pela internet ou por golpes aplicados em agências bancárias. "Eles tinham um contato que fornecia os dados do cartão e os dados do titular do cartão. Com esses dados, as compras eram efetuadas, por vezes, sem sequer necessidade de confecção de documentos, porque eram compras feitas em sites da internet e pelo telefone, bastando informar o número do cartão e o código de segurança", explicou Rosana, destacando que dezenas de vítimas foram identificadas em Aracaju, cidades do interior sergipano e nos estados de Pernambuco e Bahia.
Em outros casos, onde as compras deveriam ser feitas pessoalmente e com a comprovação da identidade, eram apresentados documentos falsos ou utilizadas outras pessoas, a exemplo da que foi flagrada em Socorro. "O grupo utilizava pessoas como "laranjas", que eram cooptadas no sentido de evitar a exposição dos principais membros da quadrilha. Elas iam até determinado estabelecimento com o cartão de crédito clonado no intuito de efetuar a compra. Como recompensa, os líderes pagavam uma comissão pelo produto que foi adquirido. Devido à profissionalização do esquema, acreditamos que outras pessoas estejam envolvidas no crime", suspeita a delegada.
As compras realizadas pela quadrilha foram identificadas pelo DDCP e pela Divisão de Inteligência Policial (Dipol), a partir das queixas prestadas pelos clientes e pelas operadoras dos cartões de crédito. Em geral, os valores eram gastos com viagens, festas, restaurantes caros, roupas de marca, perfumes, cosméticos, celulares e aparelhos eletroeletrônicos, que chegavam a ser revendidos para receptadores. As contas dos cartões nem sempre eram pagas. "As vítimas recebiam a fatura em suas casas, mas conseguiam cancelar o valor das compras junto às operadores dos cartões. No entanto, o comerciante e a operadora ficavam no prejuízo", declarou Rosana. Alguns destes produtos foram apreendidos nas casas dos acusados, além de um drone e uma escopeta calibre 12.
A polícia não descarta fazer uma segunda fase da ‘Operação Ostentação’, para identificar quem colaborava com as ações da quadrilha, incluindo os ‘laranjas’, os receptadores e os fornecedores dos dados dos cartões. Todos deverão ser indiciados pelos crimes de estelionato e associação criminosa. Também foi aberto um inquérito sobre a morte de Thiago Macedo, pois a polícia questiona se ela teria alguma relação com os golpes praticados pelo grupo, apesar da causa estar hoje identificada como suicídio.
OS PRESOS DA ‘OPERAÇÃO OSTENTAÇÃO’
Prisão temporária:
– Valtenisson José Moura dos Santos
– Jonathas de Brito
– Dulcevane Ribeiro Santana
– Ismael Batista dos Santos Filho, o ‘Magnata’
– José Edgar Nascimento Reis
– Filipe Diogo Santana Macedo
– Lucinéia Alves dos Santos, a ‘Luana’
Prisão preventiva:
– Matheus Aniel Messias de Jesus
– Fabiana dos Santos Lopes, a ‘Biana Bia’
– Jeferson dos Santos Lopes, o ‘Tom Lopes’ (foragido)
– Dunald Rebouças Chaves Neto
– Jotailton Luiz dos Santos Junior, o ‘Jota’
– Saulo David Santana Macedo, o ‘Saulinho San’
– Pedro Lucas Santana Macedo
Fonte: Polícia Civil


