Quinta, 03 De Abril De 2025
       
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Histórico de Metas de Inflação para o Brasil


Publicado em 01 de março de 2025
Por Jornal Do Dia Se


De acordo com a nossa autoridade monetária, o Banco Central do Brasil, o regime de metas para a inflação tem sido bem-sucedido no Brasil. Segundo o Banco Central do Brasil, o sistema tem possibilitado que a inflação fique sob controle, em níveis relativamente baixos. Desde a adoção do regime em 1999, a inflação tem se situado dentro do intervalo de tolerância na maioria dos anos-calendário. Porém mais recentemente, este desafio tem sido maior e quando isto ocorre é necessário a apresentação de carta aberta com explicações sobre o não alcance da meta, ou a ultrapassagem do limite de tolerância.
Neste século XXI, tivemos carta aberta nos seguintes anos: 2001, 2002, 2003, 2015, 2017, 2021, 2022 e 2024.
A meta de inflação foi diferenciada em referidos anos, em 2001 a meta era de 4,0%, superior à meta que tínhamos para o ano passado e que é a mesma para este ano (3,0%). O tamanho do intervalo de tolerância também foi diferenciado neste período, no ano de 2001, o intervalo de tolerância era de 2,0 pontos percentuais, enquanto que para 2024 foi de 1,50 ponto percentual, este é o mesmo intervalo para 2025 e vem se mantendo nesse patamar desde 2017.
Neste Século XXI, a inflação oficial do Brasil, que é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve os seguintes índices: 2001 (7,67%), 2002 (12,53%), 2003 (9,30%), 2004 (7,60%), 2005 (5,69%), 2006 (3,14%), 2007 (4,46%), 2008 (5,90%), 2009 (4,31%), 2010 (5,91%), 2011 (6,50%), 2012 (5,84%), 2013 (5,91%), 2014 (6,41%), 2015 (10,67%), 2016 (6,29%), 2017 (2,95%), 2018 (3,75%), 2019 (4,31%), 2020 (4,52%), 2021 (10,06%), 2022 (5,79%), 2023 (4,62%) e 2024 (4,83%). Verifica-se que o ano de menor inflação neste Século foi 2017 com inflação de 2,95%, em uma meta estipulada de 4,5% e um intervalo de tolerância de 1,50 pontos percentuais, portanto a inflação mínima estipulada era de 3,0% e a máxima de 6,0%. Assim, como o percentual efetivo e inflação foi fora do intervalo, mesmo sendo na mínima, foi necessário a apresentação de uma carta aberta para explicar o motivo.
A carta aberta sobre os resultados da inflação de 2017, foi emitida em 10 de janeiro de 2018, assinada por Ilan Goldfajn (Presidente do Banco Central da época) e dirigida ao Ministro que presidia o Conselho Monetário Nacional daquele período, Henrique de Campos Meireles.
Os principais fatores apontados na carta aberta para que a inflação do Brasil ficasse abaixo do limite inferior no ano de 2017, foram os seguintes:
– no ano de 2017, o Brasil vivenciou forte queda da inflação, referida queda da inflação elevou o poder de compra da população e, juntamente com outros fatores, propiciou a retomada do consumo e da atividade econômica de uma forma geral.
– o destaque apresentado na carta foi a inflação do subgrupo alimentação no domicílio. Este subgrupo apresentou uma deflação (queda de preços) de -4,85%. Isto ocorreu porque o comportamento dos preços dos alimentos refletiu, preponderantemente, as condições de oferta, que permitiram níveis recordes de produção agrícola para a safra 2016/2017, com crescimento em torno de 27% em relação à safra anterior de 2015/2016, equivalente a um aumento de 511 milhões de toneladas.
Esta ocorrência de 2017, precisa ser relembrada em 2025 para que voltemos ao controle da meta da inflação, dependemos de uma boa produção agrícola e preços adequados e justos para o consumo da população. Dessa forma, espera-se que a inflação fique dentro do intervalo de tolerância e retome a trajetória de cumprimento de metas.
Não podemos esquecer, conforme verificado pelo Banco Central do Brasil, que as pessoas utilizam a meta da inflação como referência da inflação prospectiva. Isso dá maior previsibilidade para a economia e melhora o planejamento das famílias, empresas e governo.
Sobre a perspectiva do horizonte de queda dos preços de alimentos para o ano de 2025, devemos lembrar que o Plano Safra 2024/2025 foi apresentado com mais recursos para impulsionar o setor agropecuário brasileiro. As linhas de crédito, incentivos e políticas agrícolas para os produtores rurais são orientativas para uma boa perspectiva produtiva em 2025. Resgatando que para a agricultura empresarial (médios e grandes produtores), foram R$ 400,59 bilhões destinados para o crédito rural para produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais, sendo um valor 10% superior ao do que foi aplicado no Plano Safra anterior.
Assim, se conseguirmos alcançar o planejado no Plano Safra 2024/2025, imagino que poderemos ter uma melhoria na oferta de alimentos e maior adequação em seus preços, contribuindo para um rebaixamento da atual inflação e busca do alcance da meta, no mínimo, dentro do intervalo de tolerância, que para o ano de 2025 é de uma meta de 3,0% que na tolerância de 1,50 ponto percentual chega a uma máxima de 4,50%. No momento em que escrevo este artigo, estamos ligeiramente acima da máxima, pois a inflação medida pelo IPCA, apresenta um acumulado de 4,56% nos últimos 12 meses. Este percentual força a manutenção da Taxa Selic elevada, atualmente a taxa Selic está em 13,25% a.a.
Cabe registrar que em seu último comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil apontou que o cenário prospectivo de inflação continua desafiador em diversas dimensões. Um alento apresentado é o de que a atividade econômica vem mantendo o dinamismo, destacando o ritmo de crescimento do consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo. Isso combinado com um mercado de trabalho robusto e vigor nas concessões de crédito amplo podem suportar o consumo e a demanda agregada. Mas o Copom também fez referência aos preços dos alimentos que se elevaram de forma significativa, pontuando que fatores como estiagem observada ao longo do ano, elevação de preços de carnes influenciaram o status que temos hoje. Eu acredito na mudança deste cenário adverso, até mesmo porque o movimento do câmbio nos últimos dias já é favorável para a redução da espiral inflacionária.

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