Gabriel Damásio
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Um homem foi preso em flagrante por volta das 8h deste sábado, ao jogar uma bolsa improvisada com cerca de 20 telefones celulares no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju). O acusado é o ex-presidiário Felipe Henrique Santos, 20 anos, que estava acompanhado por um adolescente que também foi detido, mas acabou liberado. Segundo informações da polícia e de agentes que trabalham no local, os suspeitos estavam junto às cercas e atiraram a sacola na tentativa de alcançar o pátio do presídio. O flagrante foi realizado por agentes do próprio Copemcan e do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope), que reforçavam a segurança no presídio e faziam patrulhas na área externa.
Ao verem os dois se afastarem da cerca e se prepararem para jogar os objetos, os guardas deram dois tiros de fuzil para o alto, como sinal de advertência. Os dois suspeitos se renderam e entregaram a bolsa, improvisada em um revestimento de almofadas, a qual, além dos celulares já desmontados, com chips, baterias e carregadores, ainda continha quatro garrafas de cachaça e aproximadamente 10 trouxas médias de maconha. Felipe, que já tem passagem por assalto à mão armada, foi autuado pelos crimes de tráfico de drogas e introdução de celular em presídio.
Os próprios agentes levaram os acusados para a Delegacia Plantonista, onde prestaram depoimento. O conteúdo não foi divulgado, mas, segundo o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Sergipe (Sindpen), Edilson Souza, a suspeita é de que os telefones teriam sido encomendados por outros presos já instalados na cadeia. "Quem joga esses objetos são pessoas que tem alguma ligação com os presos ou com a facção instalada no presídio, que é o PCC [Primeiro Comando da Capital]. Geralmente, elas fazem isso pra pagar alguma dívida de drogas, que eles compraram a algum traficante, e repassam os objetos como pagamento. Ou até mesmo pra ganhar algum dinheiro", relata Edilson.
Ainda de acordo com os agentes, a estratégia de jogar drogas, celulares e até armas para dentro dos pátios se tornou mais frequente por causa da desativação das guaritas do Copemcan e de outros presídios, que passam todo o tempo desocupadas. Com isso, os servidores passaram a fazer patrulhas na área externa dos presídios para reprimir a ação dos lançadores. A Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), admite que o problema é um desdobramento da falta de efetivo de agentes penitenciários, cujo déficit é de cerca de 1.300 servidores, segundo estimativa do Sindpen. O governo, por sua vez, alega que está reduzindo gastos, mas já se comprometeu a autorizar e fazer o concurso público do órgão, em data ainda não definida.


