Homem mata ex-mulher, cunhado e fere ex-sogros

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Uma tragédia ocorrida na noite de anteontem chocou a comunidade do povoado Guedes, em Graccho Cardoso (Médio Sertão). Um lavrador inconformado com o fim do relacionamento abriu fogo contra quatro pessoas de uma mesma família, tentando provocar uma chacina. A estudante Chirley Ribeiro Dias, 17 anos, ex-mulher do autor do crime, levou dois tiros nas costas morreu na hora. O irmão dela, Leandro Ribeiro Dias, 24, foi atingido na cabeça e chegou a ser internado em estado grave na Ala Vermelha do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju, mas morreu ao início da manhã de ontem.

Os pais das vítimas também foram socorridos ao Huse. Lá permanece internada a mãe dos jovens mortos, Maria Diranildes dos Santos, 54, que, apesar de ter sido baleada em um dos joelhos, tem um câncer no útero e corre risco de morte devido ao estágio avançado da doença, além de ter entrado em estado de choque. Já o pai, o agricultor Orlando Ribeiro dos Santos, 57, foi ferido no braço e recebeu alta ao final da manhã. O autor da tragédia, de prenome Roberto Sílvio, fugiu do local usando uma moto de placa IAD-8209/SE, encontrada horas depois no povoado Arara, também em Graccho. Desde então, não foi mais visto. Houve rumores de que o matador teria cometido suicídio, o que não foi confirmado pela polícia.

O crime é investigado pela Delegacia de Graccho Cardoso, apesar de o depoimento de Orlando ter sido ouvido na sede da Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci), no bairro São José (zona sul da capital), enquanto ele providenciava a liberação dos corpos dos filhos no Instituto Médico-Legal (IML). Segundo ele, Chirley teve um relacionamento de três anos com Sílvio e saiu de casa para conviver maritalmente com ele. No entanto, a relação foi se desgastando, por causa das constantes brigas, agressões e ameaças que se intensificaram nos últimos três meses, quando a jovem saiu da casa dos sogros.

Conforme a tia das vítimas, Idália dos Santos, Chirley chegou a passar quatro dias com ela na capital e depois voltou para a casa dos pais em Graccho. Neste tempo, a garota relatou que era espancada por Sílvio enquanto moravam juntos, temia ser assassinada e passou a não querer mais sair de casa, pois, segundo ela, o ex-marido andava armado e dizia a várias pessoas do povoado que iria "pegar" a ex-mulher caso ela não voltasse para sua casa. Orlando confirmou aos jornalistas que a filha era ameaçada por telefonemas de Sílvio, mas só soube delas depois da tragédia.

Eram 19h30 de anteontem quando Chirley estava em casa com os pais. Eles assistiam televisão quando foram surpreendidos por Roberto Sílvio. "Ele viu que as portas estavam fechadas e quebrou a janela, sem ninguém esperar. Veio com tudo e botando o revólver em cima. O primeiro tiro atingiu ela [Chirley], que estava correndo para o quarto. Ele já tinha atirado duas vezes pela janela e quando fui abrir a porta ele deu mais três. Um pegou no meu braço. E nessa hora, quando o menino [Leandro] ia chegando, ele entrou perguntando: ‘o que é que está acontecendo?’. Ele [Silvio] só atirou, derrubou ele na hora", relatou o agricultor, ainda com a calça suja de sangue.

Os corpos dos jovens foram levados ao início da tarde para o povoado Guedes, onde foram velados em uma capela e devem ser enterrados hoje de manhã. Durante a passagem por Aracaju, a família foi amparada por vários moradores de Graccho Cardoso, que descreveram o grande choque sofrido pela população com a tragédia. Mais abalado ainda estava Orlando, que lamentou o que considera o fim de sua família. "A minha família desmanchou agora. Ela já era ‘pouquinha’ (sic) e agora, pronto. Se acabou", disse, resignado. 

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