Gabriel Damásio
Está preso o aposentado José Crisanto Valério dos Santos, 60 anos, acusado pela polícia de ser o autor da morte do líder comunitário Pedro Francisco dos Santos, o "Pedro Guarda", ocorrida em 2 de maio de 2013. O crime chamou a atenção de todo o estado, devido ao corpo da vítima ter sido encontrado sem a cabeça e sem as mãos, envolto em um lençol e abandonado no acostamento do quilômetro 137 da BR-101, em Estância (Litoral Sul). Crisanto teve sua prisão preventiva decretada pela Vara Criminal de Estância e foi detido nesta segunda-feira pela Polícia Civil, em uma casa alugada no bairro Aeroporto (zona sul de Aracaju).
Os detalhes do caso foram apresentados ontem de manhã. O acusado também foi apresentado, mas não quis falar com os jornalistas. O delegado regional de Estância, André David, acredita que o crime pode ter sido motivado por uma disputa entre Crisanto e Pedro por uma área de terras no povoado Calumbi, zona rural do município, onde a vítima liderava a associação de moradores. De acordo com ele, o impasse ganhou esse desfecho por causa do temperamento do acusado, descrito por testemunhas como um homem que usa a violência para resolver pequenos problemas.
"Acreditamos que o temperamento agressivo do Crisanto foi exacerbado por uma discussão que ele manteve com a vítima, em virtude da disputa de um terreno no Calumbi, bem como a ascendência daquelas pessoas naquela comunidade, porque tanto a vítima quanto o autor têm parentes que moram no povoado. Essa discussão teria sido o motivo de Crisanto ter ceifado a vítima de maneira bárbara", disse André, ressaltando que esta foi a única discussão séria que Pedro teve em toda a sua vida, conforme asseguram seus familiares. "Iniciamos as investigações a partir do passado da vítima e descobrimos que o senhor Pedro Francisco era uma pessoa muito querida pela comunidade", acrescenta.
Ainda segundo o delegado, o aposentado teria usado um arco-e-flecha para atacar "Pedro Guarda" na rodovia e, em seguida, uma faca para decepar as mãos e a cabeça da vítima. Para David, o objetivo do acusado com esta atitude foi o de dificultar a identificação do corpo pela polícia. "Após decapitar a vítima, ele jogou literalmente o corpo da vítima na BR, acredito eu que para ele se deteriorar ainda mais e dificultar a investigação. Pelo que encontramos no próximo ao corpo da vítima, uma poça de sangue e esse arco-e-flecha, ali foi o local onde ela foi abordada, ou transportada até lá, e morta", disse ele.
A polícia apurou que, depois de matar o líder comunitário, Crisanto fugiu de Estância e nunca mais voltou para administrar as propriedades que tinha na cidade, uma casa e um terreno. O acusado passou a viver em Aracaju, onde vendeu um apartamento que também tinha em seu nome. "Ele sumiu de Estância e, se apareceu por lá, foi de forma muito velada, sem expor sua figura, até porque as pessoas ficaram muito revoltadas com o crime. Ele se desfez do imóvel que ele tinha na capital e ficou morando de aluguel, [colocando os contratos dos] muitos imóveis no nome do filho, e isso dificultava muito as nossas buscas", relatou André David. Para continuar a investigação, os policiais de Estância tiveram a ajuda da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol).
Enfermeira baleada – José Crisanto já respondeu a um processo por outro crime que ganhou repercussão em Sergipe: a tentativa de assassinato contra a enfermeira Silvânia Maria Góis Gomes, que foi baleada no dia 13 de fevereiro de 2011, enquanto fazia uma caminhada na rodovia José Sarney, bairro Aruana (zona de expansão). Na ocasião, ela foi atingida à queima-roupa na boca por um tiro de revólver. Silvânia ficou 25 dias internada e quase ficou tetraplégica, mas conseguiu sobreviver sem sequelas.
Crisanto foi preso dias depois do crime, após ser reconhecido como o autor do disparo, em imagens gravadas na hora e no local do crime por câmeras da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT). Com ele, também foi preso o médico Vanderlei Gomes Santos, que era casado com a vítima e foi apontado como o mandante do crime. Segundo a polícia, Vanderlei era amigo de Crisanto, trocou telefonemas com ele antes do atentado e fugiu com ele do local logo depois. De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, delegado Everton Santos, os dois chegaram a ser condenados, mas já cumpriram parte da pena e estavam em liberdade.


