Homem temido por crimes em São Cristóvão é preso

Após oito meses de investigações, policiais da 5ª Divisão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de Sergipe prendeu um dos homens mais procurados do Estado. Fábio Júnior de Oliveira Santos, 34 anos, o ‘Fabinho’, foi preso no povoado Carapatinga, em Brejo Grande (Baixo São Francisco), na terça-feira de Carnaval, quando se divertia à vontade em um bar da localidade. Os detalhes do caso foram apresentados ontem pela Polícia Civil. Ele é investigado no DHPP pela prática de seis homicídios, sendo cinco em São Cristóvão (Grande Aracaju) e um em Brejo Grande. No entanto, o suspeito passou a ser muito temido pelos moradores das cidades, que atribuem a ele outros assassinatos cometidos de forma violenta.
Para a delegada Rosana Freitas, Fabinho ganhou um status de ‘mito do mal’, mas de forma injustificada. "Dizem que ele já matou mais de 20 e que existia até uma lista de pessoas para serem mortas", disse a delegada, ao frisar que cada denúncia está sendo cuidadosamente investigada. "Ele nega a existência desta lista, mas as vítimas e outras pessoas afirmam o contrário. Só aprofundando as investigações é que nós poderemos afirmar se realmente existia a intenção dele de matar outras pessoas ou se isso acabou sendo gerado por conta do medo em torno da figura dele", acrescenta.
Oficialmente, ele é investigado pelos homicídios de José Ariclenes do Amor Divino, que é primo de Fabinho, e que teria sido morto a tiros em 2008; José Jorge da Silva (2012), Marcos Antônio Dias de Oliveira (2013), e Genilson Santana dos Santos (2014). De acordo com as investigações, desde que ele matou Marcos Antônio Dias, em 18 de julho do ano passado, fugiu para o interior do Estado, onde passou a montar bases em várias cidades. Fabinho agia em parceria com Roberto Raimundo de Oliveira, o ‘Terra Preta’, que acabou preso logo após o assassinato de Marcos Dias e atualmente encontra-se custodiado no sistema prisional sergipano.
Em depoimento a delegada Rosana Freitas, Fabinho confessou que matou o primo Jorge Ariclenes e Marcos Dias, mas negou a autoria dos outros dois crimes. "Em todos os casos, ele disse que matou para se defender, pois sempre era agredido primeiro, e que em momento algum ele faria ameaças a outras pessoas da localidade", contou Freitas.
Outro fato novo surgiu nos depoimentos após sua prisão. "No caso do assassinato de Genilson, ele passou de executor a mandante do crime. Genilson é genro de Marcos Dias e teria testemunhado o crime e socorrido o sogro. Genilson foi ouvido no inquérito policial e seria testemunha chave do processo criminal, inclusive seria ouvido pelo juiz da Comarca no dia 18 de fevereiro, mas acabou sendo morto dois dias antes a mando de Fabinho", explicou Rosana.
A delegada Thereza Simony, diretora do DHPP, confirma que embora Fabinho não seja o mito do crime, ele age com violência e muita inteligência. "Realizamos várias diligências e incursões para prendê-lo, mas ele sempre se esquivava. Tínhamos informações de que ele poderia estar na casa de parentes no município de Ilha das Flores, mas nunca não foi encontrado. A partir de elementos novos, montamos uma equipe de plantão, em pleno Carnaval, com a intenção de averiguar novas pistas, até que finalmente o encontramos desarmado e bebendo em um bar", destacou.
Ao ser apresentado, Fabinho falou pouco, mas negou ter uma lista de pessoas que mataria e disse ser inocente, mas admitiu ter cometido apenas dois assassinatos, em 2008 e em 2013, por se sentir ameaçado pelas vítimas. "Estou aqui para pagar pelo que eu fiz", disse o acusado, que já teve duas absolvições na Justiça por dois homicídios imputados a ele no passado. O júri entendeu que não existiam provas suficientes para condená-lo. Fabinho continua preso à disposição do Poder Judiciário.

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