Gabriel Damásio
O relatório da Síntese de Indicadores Soci ais (SIS), produzida pela unidade Sergipe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os indicadores sociais do estado sofreram uma piora nos últimos seis anos, entre 2012 e 2018. De acordo com a pesquisa, houve regressões nos níveis de acesso à educação e de pessoas no mercado de trabalho, acompanhadas de aumentos na desigualdade social e na desocupação de trabalhadores (incluindo os desempregados). Os dados se baseiam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), cuja série histórica começou em 2012.
Um dos itens que mais chamaram a atenção está no número de pessoas desocupadas, ou seja, pessoas acima de 14 anos que estão sem emprego e sem ocupação informal, além dos que desistiram de procurar emprego; e os subutilizados, que executam trabalhos sem registro formal. Em 2012, o estado tinha 101 mil desocupados e 335 mil subutilizados. Já em 2018, eles passaram a ser 166 mil desocupados e 420 mil subutilizados. A taxa de desocupação, que era de 10,2%, passou a ser de 16.3% – a segunda maior do Nordeste, perdendo apenas para Alagoas. Entre as mulheres, o índice é de 18,7%, contra 14,7% dos homens. A pesquisa apontou ainda que os trabalhadores nesta situação são 17,1% dos negros e pardos, 12,9% dos brancos e 28,6% dos jovens de 14 a 29 anos.
Outro aspecto que mais chamou a atenção foi a distribuição de renda, quesito que colocou Sergipe como o sexto estado do país e terceiro do Nordeste com maior proporção de pessoas em condição de pobreza (o primeiro é o Maranhão). Em nosso estado, 44.1% da população tem pessoas com renda domiciliar per capita de R$ 145 até R$ 420 mensais, o que as enquadra em condição de pobreza. Já a condição de extrema pobreza, na qual as pessoas têm renda domiciliar per capita de até R$ 145 mensais, foi a situação de 13,9% da população sergipana em 2018 (a maior da série histórica), contra 7,5% em 2014.
O SIS informa ainda que 74% da população do estado vive com renda de até 1 salário mínimo, equivalente a R$ 1 mil. Desse total, 25,8% possuem rendimento de R$ 500 a 1 mil, e outros 24,8% estão na faixa dos de renda per capita familiar entre R$ 250 a R$ 500. "Dessa distribuição percentual do rendimento, percebe-se que nos três casos acima, a maior porcentagem do rendimento advém do trabalho, mas que as outras fontes estão mais presentes para pessoas que recebem até ¼ do salário-mínimo" afirma o IBGE, explicando que a rubrica ‘Outras fontes’ se refere aos rendimentos que provêm de alugueis, programas de transferência de renda e outros tipos. A pesquisa aponta ainda que Sergipe apresentou em 2018 um rendimento médio real de R$ 1.609, contra R$ 1.530 de 2012.
A desigualdade social é outro problema que aparece com força nos indicadores do SIS. Um deles é o Índice de Gini, que mede a desigualdade de renda e de classes – colocando os mais próximos de 1 como os mais desiguais. Em 2018, Sergipe apresentou o maior índice do Nordeste, com 0.575. Em 2017, o número foi de 0,546. Outro dado neste sentido é o Índice de Palma, que a partir dos rendimentos médios dos trabalhadores, compara os 10% maiores com os 40% menores, considerando o trabalho principal de cada indivíduo e os demais trabalhos, caso exista. "Observou-se que, em Sergipe, os 10% com maiores rendimentos se apropriavam de 45,6% da renda, enquanto os 40% com menores rendimentos se apropriavam de apenas 8,9%", confirma a pesquisa.


