Idoso morre decapitado e queimado em Socorro

Gabriel Damásio

 

O que parecia ser uma simples desavença em vizinhos transformou-se em um crime bárbaro que chocou a população de Aracaju pela extrema violência sofrida pela vítima. Um idoso identificado como Elias Sebastião da Silva, 66 anos, foi assassinado por cinco homens que invadiram sua casa e, depois de uma intensa luta corporal, mataram-no com várias facadas. Em seguida, os criminosos decapitaram o morador, atearam fogo ao corpo e levaram a cabeça para uma casa vizinha. O crime aconteceu por volta das 21h desta quarta-feira na Travessa F do Conjunto João Alves Filho, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju).

O crime já é apurado por policiais civis do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM). Por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a Polícia Civil confirmou que algumas testemunhas do crime foram ouvidas ontem pelas equipes do DHPP e outras serão ouvidas ao longo dos próximos dias. Os investigadores já identificaram um dos assassinos, mas seu nome ainda é mantido em sigilo. A principal suspeita da polícia é de que o principal autor do crime é um vizinho da vítima, que teria usado a própria casa como um ponto de venda e consumo de drogas. A partir desta suspeita, a polícia trabalha com a linha de que Elias pode ter sido morto por reclamar da movimentação na casa vizinha – e supostamente ter denunciado o vizinho às autoridades.

“Algumas pessoas que estavam lá nos informaram, preliminarmente, que esse senhor de idade se desentendeu com alguns homens, sendo que um deles era vizinho dele e tem envolvimento com o tráfico. Esse senhor, que é a vítima, teria supostamente denunciado essa questão do tráfico a um policial. Já esse vizinho teria tomado conhecimento dessa suposta denúncia e então chamou os comparsas para cometer esse crime de forma bárbara”, relatou o comandante do 5º BPM, major Fábio Machado.

Os policiais apuraram que o grupo arrombou o portão da casa de Elias e começou a atacá-lo. O idoso reagiu e deu-se início a uma briga, que deixou a residência totalmente revirada. Os cinco criminosos conseguiram dominar o aposentado, atingindo com golpes de facão. Um dos bandidos, não satisfeito, cortou a cabeça da vítima, enquanto os outros colocavam fogo no cadáver. Ainda não se sabe se eles utilizaram algum tipo de combustível para provocar o incêndio, mas uma informação ainda investigada pela polícia aponta que os assassinos já tinham a intenção de queimar a vítima ainda viva.

Os outros vizinhos ficaram alarmados com o barulho da briga e em seguida com a fumaça, pois o fogo chegou a se alastrar pela sala da casa de Elias. A PM foi a primeira a ser avisada, a princípio de que o caso era uma briga com agressões físicas. Em seguida, foi chamado o Corpo de Bombeiros, cuja equipe chegou em menos de 10 minutos e controlou o incêndio. A casa não foi totalmente atingida, mas o corpo ficou carbonizado e foi reconhecido por uma das filhas do idoso.

Ela e outros dois parentes chegaram ao local antes da polícia e chegou a encontrar dois dos matadores ainda na rua. Segundo o relato dela a policiais, eles teriam deixado a cabeça de Elias na casa vizinha e preparavam-se para fugir. Antes, os bandidos agrediram os parentes da vítima, incluindo uma jovem gestante, e ameaçaram voltar ao bairro para matar todo o restante da família, caso fossem denunciados. Com medo de represálias, os parentes precisaram ser escoltados pela PM.

Durante o resto da noite e até a manhã de ontem, as duas residências permaneceram isoladas pela polícia e passaram por exames periciais do Instituto de Criminalística e de também do Corpo de Bombeiros, que apura a causa do incêndio. O corpo e a cabeça de Elias foram recolhidos pelo Instituto Médico-Legal (IML) e ainda não havia sido liberado até o fechamento desta edição, por questões burocráticas. No DHPP, a investigação está a cargo da 4ª Divisão, com acompanhamento da diretora Thereza Simony Nunes Silva. 

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