Idoso morre na fila de hospital em Itabaiana

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Foi enterrado na manhã de ontem, em Itabaiana, o corpo de Antônio Roberto da Silva, 67 anos, que sofreu de uma parada cardiorrespiratória enquanto aguardava atendimento no Hospital Regional Doutor Pedro Garcia Moreno. Em meio às lágrimas, parentes da vítima voltaram a lamentar a ocorrência e acusaram a direção da unidade hospitalar de uma possível negligência por parte da equipe médica que teria demorado mais de duas horas para promover a primeira assistência. Inconformada com a morte do avô, a jovem Ana da Silva disse que ao chegar no hospital, recepcionistas informaram que a equipe médica não poderia atender o idoso, pois os profissionais ‘estavam em horário de descanso’.

Consciente da gravidade, a denunciante garantiu que a assistência familiar foi imediata assim que o avô começou a demonstrar problemas na saúde. "A pressão dele começou a baixar de forma muito rápida e corremos para o hospital. O problema de tudo não foi a nossa demora em levá-lo ao hospital, e sim o atendimento lá com os médicos. Tenho certeza que se eles fossem rápidos ele não teria morrido", declarou.

Contrariando as denúncias feitas pelos familiares, o prontuário de atendimento indica que o idoso chegou ao hospital às 15h15, e foi atendido Às 15h25. Surpreso com as críticas, Ednei Cavalcante, diretor técnico do Hospital Regional, informou que o atendimento foi imediato. "Foram realizadas manobras de reanimação com sucesso e o paciente foi levado à sala de estabilização. No entanto, apresentou outra parada cardiorrespiratória. Foram novamente realizados procedimentos protocolares de reanimação por parte da equipe médica, porém, desta vez, sem êxito, indo o paciente a óbito", defendeu-se.

Conforme relatos do diretor, Antônio Roberto da Silva possuía histórico de doença vascular, inclusive já tendo apresentado anteriormente episódio de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A vítima, que era morador do povoado itabaianense conhecido como ‘Terra Dura’, já havia sido atendida outras quatro vezes nos últimos dois anos. Segundo relatos dos vizinhos, a família sempre reclamou do atendimento promovido pela unidade hospitalar, mas afirmava não ter boas condições financeiras para encaminhá-lo para Aracaju.

Atendimento imediato – Em resposta emitida aos meios de comunicação através da Assessoria de Comunicação da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), a Secretaria de Estado da Saúde informou que: "No acolhimento, o paciente apresentou sinais vitais normais e relatou apenas queixa de ânsia de vômito, porém não apresentou nenhum episódio de vômito no período em que esteve no hospital, ao tempo em que aguardava o atendimento ambulatorial por parte do médico do pronto socorro, que estava em procedimento na sala de sutura. Às 16h, o paciente apresentou um agravamento no quadro, sendo o médico avisado. O atendimento foi realizado imediatamente".

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