Milton Alves Júnior
Aracajuanos que residem em bairros da zona Sul voltaram a enfrentar desabastecimento de água. Este impacto operacional atinge milhares de residências, departamentos públicos e toda a rede de hotelaria, pousadas e pontos comerciais do seguimento atrelado à bares, restaurantes e sorveterias. Em conversa com o JORNAL DO DIA no final da tarde de ontem, o gerente de um bar na Orla de Atalaia, Nivaldo Gama, reclamou do sistema da Iguá Saneamento desde maio do ano passado quando a empresa concessionária começou a responder oficialmente pela distribuição de água em 74, dos 75 municípios sergipanos. Apenas a cidade de Capela não é atendida pela Iguá.
“Para não fechar as portas, nós estamos sendo obrigados comprar garrafões de água para cozinhar e lavar os pratos, talheres e panelas. Para lavar o bar, incluindo os banheiros tem sido uma luta […] quando a água chega nas caixas d’água, a gente já reserva uma margem de segurança para garantir que o bar será limpo. Tem sido bastante difícil resolver isso porque não sabemos quando vamos ter realmente o abastecimento normalizado; toda semana falta água aqui”, reclamou. A rotina de falta de água nas torneiras tem sido alvo de Ação Civil Pública, procedida pelo Ministério Público Estadual (MPSE).
O órgão alega que as medidas judiciais foram motivadas por constantes reclamações de moradores de diversos bairros de Aracaju sobre a interrupção no fornecimento de água e irregularidades nas cobranças tarifárias. De acordo com o ministério, a deficiência no serviço essencial compromete a dignidade e a saúde dos consumidores. No início desta semana, paralelo à região Sul, bairros que compõem outras regiões da capital também foram impactados com o desabastecimento, sobretudo os bairros: bairros Santo Antônio, José Conrado de Araújo, Industrial, 18 do Forte, Cidade Nova, Japãozinho e Luzia.
O MPE destacou que a Iguá Sergipe descumpre o princípio da continuidade do serviço público, previsto no Código de Defesa do Consumidor e na Lei de Concessões. O MPSE argumenta que “não é justificável que os usuários arquem com prejuízos decorrentes de falta de investimento na rede ou falhas operacionais, independentemente de problemas herdados de gestões anteriores”. O pedido do MPE é para que a concessionária regularize imediatamente o abastecimento nas áreas afetadas e reduza em 50% no valor das faturas para os moradores atingidos enquanto persistirem as interrupções, além da suspensão do pagamento de tarifa de disponibilidade para quem consome menos de 10m³.
Japaratuba – Este mesmo problema tem sido enfrentado por sergipanos que residem em outros municípios. Na região Leste do estado, moradores dos povoados São José e Sapucaia, no município de Japaratuba, enfrentam falta de água desde a manhã da última quinta-feira, 07, em decorrência do rompimento de uma adutora. De acordo com a Iguá – em cenário semelhante ao denunciado no dia 26 de abril, quando supostamente houve desabastecimento 13 bairros simultâneos de Aracaju -, uma ação de vandalismo pode ter causado o problema. Em Japaratuba, o rompimento aconteceu no trecho da ponte sobre o Rio Japaratuba Mirim, conhecido como Riacho Preto, e que fica antes da entrada do Povoado Sapucaia.
Sobre os mais recentes desabastecimentos, finalizado o procedimento de reparo, é possível que a água distribuída nas torneiras apresente tonalidade barrenta. Situação considerada normal pelos especialistas, a qual deve ser normalizada nas próximas horas conforme for sendo utilizada pelos consumidores. Em caso de continuidade dos problemas, a direção da Iguá pede que o cidadão informe a situação através dos números: 0800 400 4482, site ou aplicativo Digi Iguá. Agindo desta forma, o setor plantonista vai acionar dos departamentos responsáveis para que o impasse seja solucionado em curto prazo.


