Milton Alves Júnior
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Parentes de pessoas que tiveram corpos encaminhados ontem ao Instituto Médico Legal (IML) voltaram a reclamar do serviço prestado pelo órgão, atribuindo a situação de descaso administrativo à falta de negociação entre os peritos e o Governo do Estado. Em operação-padrão há mais de uma semana, os servidores da Coordenadoria Geral de Perícias (Cogerp) pedem melhores condições de trabalho e agilidade na reintegração de 15 agentes da Polícia Civil que foram desligados há três anos, além dos direitos trabalhistas contidos em Lei. Segundo os parentes de vítimas, o serviço de necropsias está sendo realizado ‘sem pressa’, o que lhes têm causado angústia. Ontem à tarde, houve um princípio de tumulto na entrada principal do instituto.
De acordo com o contador Francisco Soares Filho, ele aguardava há mais de cinco horas pela liberação do corpo de um amigo que havia sido encaminhado para o local. Preocupado com a situação de decomposição do corpo, Francisco lamentou a situação e disse que teria pouco tempo para se despedir do ente querido. "Isso aqui é uma vergonha, só eu tenho quase um turno que estou aqui e ninguém nos passa qualquer tipo de esclarecimento. Até quando vai ficar assim? Já não basta o sofrimento da perda e ainda somos obrigados a engolir seco isso aqui?", questionou.
Assim como foi informado na semana passada pela categoria ao JORNAL DO DIA, a mobilização dos servidores está conseguindo que a população comece a ser prejudicada pela falta de assistência, e que os próprios usuários comecem a exigir que governo atenda às reivindicações da categoria. Por volta das 16h, o major Gledson Lima Alves, diretor interino do IML, teria ordenado que a entrada principal do instituto fosse fechada com correntes e cadeados.
Sem atendimento e condições de trabalho, o expediente foi encerrado mais cedo e isso contribuiu para a fúria dos populares. Algumas pessoas que aguardavam notícias ameaçaram prestar queixa contra o Estado. "Vejam só em que ponto chegamos, fecharam o acesso administrativo do IML e a gente está aqui sem nenhuma notícia, nem sabemos quando os corpos serão liberados. É bem capaz que saia daqui direto para o cemitério e nem dê tempo para o adeus", disse Ana Julia, irmã de um jovem vítima de acidente.
Esclarecimento – Em nota ao JORNAL DO DIA, o porta-voz do IML, Théo Moreno, informou que, independente da ‘Operação Padrão’ permanecer em atividade, as demandas estão sendo atendidas dentro do planejamento e sem nenhum imprevisto. Quanto ao portão fechado, ele disse não ter sido comunicado disto, mas esclarece que este procedimento é adotado diariamente por medida de segurança. Ele informou ainda que na entrada principal existe uma campainha disponível aos populares que desejam realizar algum exame ou liberar cadáver.


