Insegurança faz UFS suspender aulas no campus de Laranjeiras

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A reitoria da Universidade Federal de Sergipe (UFS) confirmou ontem, em nota oficial, que mandou suspender temporariamente as aulas e outras atividades do Campus das Artes, em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba), "diante das situações de insegurança e medo a que os estudantes do campus têm sido expostos nos últimos meses". A decisão foi tomada após o protesto ocorrido na noite de anteontem, quando cerca de 200 estudantes ocuparam o "Quarteirão dos Trapiches", onde funciona a instituição.

Entre outras medidas tomadas, está a retirada de estudantes de outros estados que moram em repúblicas estudantis espalhadas pelo centro de Laranjeiras e bairros próximos, os quais seriam alocados em Aracaju. "A Universidade, neste momento, não vê outra saída a não ser proteger a sua comunidade acadêmica, retirando-a da situação de risco. Ações de Assistência Estudantil e apoio psicológico têm sido providenciados para os alunos com a intenção de minimizar os danos gerados por essa conjuntura", confirma o texto oficial.

A UFS também anunciou que vai discutir o caso com o governador Jackson Barreto (PMDB), em audiência já marcada para a semana que vem. Também foi solicitada uma reunião com o prefeito da cidade, José de Araújo Leite Neto, o "Juca de Bala" (PMDB). "A administração da UFS avalia que a manutenção dos seus estudantes no município de Laranjeiras depende de ações firmes dos órgãos responsáveis pela segurança pública, já que os alunos têm sido ameaçados e agredidos de diversas maneiras por delinquentes que agem na cidade. (…) Neste contexto, acredita que a parceria construída entre Universidade e o poder público irá gerar soluções que beneficiem não só os estudantes, professores e demais servidores da UFS, mas toda a comunidade laranjeirense", conclui a reitoria.

Ontem, cerca de 150 universitários, segundo a Prefeitura de Laranjeiras, fizeram uma assembleia com a presença dos professores do Campus e do vice-reitor André Maurício Conceição. Em seguida, eles saíram em passeata pelas ruas do centro histórico, tendo a adesão de alunos das escolas locais, moradores e até do padre da paróquia da cidade. O Campus, inaugurado em 2005 pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva, tem hoje cerca de 1 mil estudantes dos cursos de Arqueologia, Arquitetura e Urbanismo, Artes Visuais, Dança, Museologia e Teatro.

O protesto dos estudantes aconteceu depois dos rumores de que uma jovem de 19 anos, estudante do curso de Dança, ter sido encontrada com as roupas rasgadas e marcas de agressões em uma rua próxima à universidade, por volta das 15h desta quinta-feira. O caso foi noticiado na edição de ontem do JORNAL DO DIA. Ontem, a diretora do Campus de Laranjeiras, Rosana Rivas de Araújo, disse à TV Sergipe que a universitária foi sequestrada por pelo menos três homens que a abordaram à saída da república onde mora e obrigaram-na a entrar em um carro. Ela teria sido abandonada no local depois de ser agredida e ameaçada de morte durante cerca de 30 minutos.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFS também afirma que houve o sequestro contra a estudante e aponta a hipótese de as ameaças teriam sido motivada por pessoas da própria cidade de Laranjeiras, que estariam descontentes com as manifestações já realizadas pelos estudantes em prol da segurança na cidade. Eles acrescentam que a estudante chegou a ficar em um sério estado de choque e, bastante nervosa, gritou que algumas pessoas queriam assassiná-la.

Boatos? – A Prefeitura local chegou a desmentir a ocorrência, afirmando em uma nota que a vítima teria passado mal próximo à igreja matriz, pois tem problemas mentais e usa remédios controlados. Mais tarde, o diretor de imprensa da PML, Reginaldo Santos, disse ao JORNAL DO DIA que a estudante foi mesmo encontrada desmaiada no centro da cidade, sendo socorrida por guardas municipais, mas reafirmou a versão oficial. "Os guardas levaram a jovem para o Hospital São João de Deus, aqui em Laranjeiras, e lá ela foi atendida por um médico que já a conhecia. Segundo ele, a paciente já foi atendida por ele outras vezes, ela teve um surto causado por problemas mentais que ela tem e também seria usuária de drogas", disse ele.

Ainda de acordo com Reginaldo, a vítima ainda foi orientada pelos guardas a prestar queixa na Polícia Civil e a prestar exames de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML), assim que recebeu alta do hospital. "Nós até estranhamos, porque a vítima não diz quem foi que fez isso, não procurou a polícia e nem quis prestar queixa na delegacia", completa o porta-voz. O mesmo foi dito pelo capitão Jorge Cirilo, representante do 2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM), responsável pelo policiamento do Vale do Cotinguiba.  "O médico de plantão constatou que não tinha nenhuma lesão corporal e nenhum vestígio [de estupro]. Percebeu-se no histórico que ela já foi internada outras três vezes por surtos psicóticos", afirmou Cirilo.

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