Gabriel Damásio
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Um grupo de internos tentou fugir da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), no Capucho (zona oeste de Aracaju), ao final da manhã de ontem. Tudo aconteceu durante o desenvolvimento de atividades educativas, quando internos de uma ala do piso inferior quebraram uma parede do compartimento e subiram no telhado, enfrentando os agentes socioeducativos que estavam de plantão. Segundo a Polícia Militar, o incidente envolveu 19 adolescentes, mas a direção operacional da Fundação Renascer confirmou a participação de 16 menores.
Destes, cinco conseguiram pular do telhado para um matagal nos fundos da unidade. Três correram pela vegetação, um foi recapturado e um quebrou a perna ao cair no chão, sendo socorrido ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Dos outros internos que tentaram fugir, parte foi capturada pelos agentes e outros foram reapreendidos por soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq). Um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA) sobrevoou a região da Usip para dar apoio às buscas em terra. A ala danificada foi interditada e passará por um reparo de emergência. Enquanto isso, os internos serão remanejado para outras áreas.
O diretor operacional Antônio Carlos Viana relatou que os internos abriram um buraco no teto, que apesar de ser de concreto, foi construído de maneira inadequada. "É um prédio que precisa passar por uma reforma, ou de uma nova estrutura, porque é um concreto não adequado para esse tipo de unidade", resumiu Viana, atribuindo à fuga à época de férias no Judiciário e ao fato de os adolescentes estarem detidos provisoriamente. "É um período bastante complicado em unidades de internação, ainda mais provisória. São adolescentes que estão com o prazo legal de 45 dias em vencimento, mas porque também a Justiça, no atual momento, está em recesso, e para que eles tenham uma compreensão disso, é muito difícil. Quem está em unidade de privação, quando acha uma oportunidade de evadir, não pensa duas vezes", diz.
Viana ressaltou que, desde agosto de 2015, não havia nenhum incidente nas unidades socioeducativas da Fundação Renascer, principalmente fugas e rebeliões. Ele atribui isso a uma nova filosofia de trabalho que está sendo implantada pela atual administração do órgão, baseada no diálogo mais aberto com os internos e seus familiares. "Demos mais ênfase ao diálogo, à aproximação, à conversa, ao adolescente também participar das decisões dentro da unidade. É claro que isso é um trabalho que demanda tempo, uma construção coletiva, precisa do envolvimento de todos, mas temos tentado dialogar e conversar, dialogar e conversar, e seguir os trâmites legais o tempo todo", explica o diretor.


