Invasores nas ruas prejudicam lojas

Comerciantes do Centro de Aracaju pedem a retirada de dezenas de famílias sem teto que permanecem ocupando calçadas desde a operação militar ocorrida no último domingo, 31, para reintegração de posse do Casarão do Parque, prédio antigo e instalado nas intermediações da Praça Olímpio Campos. Dizendo não ter para onde ir, as famílias que residiram no edifício de forma irregular por mais de cinco anos garantem que, por tempo indeterminado, não pretendem deixar as vias públicas. Essa postura estratégica tem gerado dor de cabeça para donos de lojas que se dizem impossibilitados de abrir os respectivos estabelecimentos. Sem conseguir convencer os ocupantes a desobstruírem as calçadas, os vendedores pedem o apoio da Prefeitura de Aracaju e da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).

No final da tarde de ontem, por volta das 16h40, um grupo de moradores de rua se envolveu em uma discussão verbal protagonizada com dois donos de lojas. O fato ocorreu nas proximidades de uma farmácia localizada na rua Lagarto após os empresários terem tentado conscientizar as famílias a saírem das vias e permitir que as lojas pudessem ser abertas. Preocupado com a continuidade dos problemas, o gerente de loja Caetano Vidal alega que, diante da presença dos moradores em torno do Casarão, os clientes sentem-se ameaçados de possíveis abordagens violentas.

Para solucionar esta situação, Vidal, que possui mais de 25 anos de experiência no mercado em Sergipe, pede atenção redobrada por parte dos órgãos de segurança e intervenção da CDL. "Quero deixar bem claro que não estamos chamando ninguém de meliante ou cidadão agressivo, não é isso! O problema é que estas pessoas estão sem abrigo digno, sem se alentar direito e precisando alimentar crianças e idosos, sendo assim, alguns clientes temem que a necessidade faça com que eles pratiquem algum ato errado, e por isso preferem não comprar nada por este lado do Centro", disse.

Ao todo, 114 pessoas habitavam no prédio há mais de cinco anos e desde novembro do ano passado vinham recebendo notificações para deixar o espaço sem a necessidade de se envolver em conflitos com os agentes militares. Para ampliar ainda mais a preocupação dos vendedores, a direção da associação de moradores garantiu resistência por parte das famílias. Todos pretendem permanecer no local por tempo indeterminado.

"Não estamos aqui na rua porque queremos, ou porque amamos essa cidade cheia de árvores. Estamos nas calçadas e na praça porque realmente não temos para onde ir. Se a prefeitura não repassa nenhuma casa pra gente ir com a nossa família, o jeito é ficar por aqui mesmo e tentar levar a vida como a gente puder", afirmou Maria Elisângela, líder dos ocupantes do prédio.
Para evitar que alguns antigos invasores voltassem a povoar o Casarão do Parque, oito policiais e duas viaturas foram posicionadas na entrada principal do imóvel. Até à tarde de ontem a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria de Assistência Social, não havia informado oficialmente se irá, ou quando irá, conceder casas populares para essas famílias. (Milton Alves Júnior)

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