Ir e vir

 

O número e o perfil das vítimas de violência sexual 
atendidas na Maternidade Nossa Senhora de 
Lourdes, em Aracaju, atesta: ainda há muito a ser feito no sentido de assegurar a liberdade dos corpos e o direito de ir e vir às mulheres no Brasil.
Ano passado, a referida unidade de saúde realizou 1035 atendimentos derivados de episódios de violência sexual. Além de acompanhar a recuperação das vítimas, os profissionais da maternidade ainda prestaram socorro a 269 novas vítimas, número ligeiramente superior aos registros realizados em 2018.
Como sempre, a imensa maioria dos casos de violência sexual têm como alvo uma mulher. Não raro, a vítima é também menor de idade.
Os dados reunidos em todas as pesquisas, estimativas e documentos oficiais revelam que as brasileiras comem o pão que o diabo amassou, tanto na rua e em ambiente de trabalho, como entre as quatro paredes de suas próprias casas. Tapas, murros e pontapés. Assédio e violência sexual. Embora a maior parte dos crimes não chegue à flor dos números, os episódios registrados em queixa formal bastam para impressionar os desavisados.
Por enquanto, não há esperança razoável de transformação no horizonte. Embora se faça de tudo para o código penal acompanhar o curso dos dias, com o fim de estender as garantias legais devidas a qualquer cidadão para as parcelas mais vulneráveis da população feminina, a letra da Lei ainda pode muito pouco contra o comportamento criminoso perpetuado pela Cultura. Não é fácil ser mulher no Brasil. Sexo frágil, coisa nenhuma.

O número e o perfil das vítimas de violência sexual  atendidas na Maternidade Nossa Senhora de  Lourdes, em Aracaju, atesta: ainda há muito a ser feito no sentido de assegurar a liberdade dos corpos e o direito de ir e vir às mulheres no Brasil.
Ano passado, a referida unidade de saúde realizou 1035 atendimentos derivados de episódios de violência sexual. Além de acompanhar a recuperação das vítimas, os profissionais da maternidade ainda prestaram socorro a 269 novas vítimas, número ligeiramente superior aos registros realizados em 2018.
Como sempre, a imensa maioria dos casos de violência sexual têm como alvo uma mulher. Não raro, a vítima é também menor de idade.
Os dados reunidos em todas as pesquisas, estimativas e documentos oficiais revelam que as brasileiras comem o pão que o diabo amassou, tanto na rua e em ambiente de trabalho, como entre as quatro paredes de suas próprias casas. Tapas, murros e pontapés. Assédio e violência sexual. Embora a maior parte dos crimes não chegue à flor dos números, os episódios registrados em queixa formal bastam para impressionar os desavisados.
Por enquanto, não há esperança razoável de transformação no horizonte. Embora se faça de tudo para o código penal acompanhar o curso dos dias, com o fim de estender as garantias legais devidas a qualquer cidadão para as parcelas mais vulneráveis da população feminina, a letra da Lei ainda pode muito pouco contra o comportamento criminoso perpetuado pela Cultura. Não é fácil ser mulher no Brasil. Sexo frágil, coisa nenhuma.

 

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