Milton Alves Júnior
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Por tempo indeterminado os servidores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) iniciaram na manhã de ontem uma greve geral que desta vez ocorre de forma paralela entre o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação da Universidade Federal de Sergipe (Sintufs) e a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (Adufs). Reunidos na entrada principal do campus de São Cristóvão, os manifestantes impediram que automóveis tivessem acesso à instituição, e expuseram a pauta de reivindicações. Os docentes exigem melhores condições de trabalho e reajuste salarial de 27,3%. A categoria ainda mostra-se insatisfeita com o projeto de lei que visa terceirizar o serviço público, e contra o corte de 10 bilhões da educação que foi anunciado há uma semana pelo Governo Federal.
Conforme avaliação dos educadores, a paralisação deste ano apresentava possibilidades reais de não ser articulada, mas impasses administrativos, tal como falta de interesse em dialogar com a categoria, contribuíram para que o movimento nacional fosse promovido. Na busca por avanços que pudessem satisfazer gestores do governo e da classe trabalhadora, representantes do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) pleitearam reuniões junto ao Ministério da Educação, mas nenhuma resposta positiva foi apresentada até o início desta semana. Até a noite da última quarta-feira, 27, os educadores aguardavam com certa ansiedade por uma contraproposta que poderia, talvez, inviabilizar a mobilização nacional, porém, nenhum sinal significante foi apontado.
Na avaliação da professora Sônia Meire Azevedo, que é vice-presidente da Andes, esta paralisação tem como principal objetivo lutar pelos direitos constitucionais de todos os trabalhadores, além de garantir que a educação superior no país volte a avançar. "Nós servidores estamos sofrendo com este governo e os estudantes também estão enfrentando grandes dificuldades para aperfeiçoar os estudos. Os alunos que, por exemplo, estão trabalhando no lugar de funcionários recebem R$ 400 e são visivelmente quase que explorados como se fossem servidores. Não existe valorização do professor e não existe qualificação do sistema público", destacou. Durante o ato dezenas de acadêmicos estiveram no local para apoiar a greve e pressionar a direção da UFS.
Questionada sobre os procedimentos grevistas a serem adotados já a partir da manhã de hoje, Sônia Meire, que também responde pelo Comando Local de Greve, foi enfática na resposta e lançou a ‘batata quente’ de volta para a administração pública. "Vamos continuar esperando que o governo decida receber nós servidores para conversar sobre os problemas e nossos pedidos. Reunião essa que não aconteceu até o início da paralisação. Enquanto não houver diálogo a greve continua, desta vez, com o apoio dos estudantes", pontuou. Sem prazo para o reinício das aulas, cerca de 1350 professores permanecem de braços cruzados, e mais de 32 mil estudantes universitários longe das salas de aula.
Sintufs – Técnicos administrativos da instituição federal exigem a contratação de mais profissionais em caráter emergencial através de concurso público. A categoria reivindica ainda o estabelecimento da data base, implantação de política de democratização da universidade e abertura de diálogos sobre a necessidade de reajuste salarial. Durante a realização do primeiro dia de manifestações, Lucas Gama, atual presidente do Sintufs, ao contrário dos representantes da Adufs, alega não haver interesse por parte da categoria em participar de reuniões que não venham a apresentar as tão esperadas contrapropostas pleiteadas há mais de um ano pelos técnicos.
Gama exige agilidade por parte do governo para que não resulte em problemas mais agravantes na instituição. "Cansamos de participar de debate simplesmente para apresentar as mesmas reivindicações. Todos os gestores da UFS conhecem muito bem os nossos pedidos e se for pra participar de reuniões improdutivas, é melhor nem convidar. Espero que algo positivo seja definido logo porque nossos alunos precisam continuar os estudos", declarou.
No decorrer da manhã de ontem foram estendidas faixas que destacavam a falta de material didático, utensílios de higiene pessoal, segurança coletiva e qualificação dos laboratórios universitários. A greve segue hoje com atos em todos os campi federais com instalação no Estado de Sergipe. O ato grevista foi aprovado esta semana após 146 servidores terem votado a favor, e apenas 28 contrários. A votação ainda contabilizou três abstenções.


